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Mais isolado, maior grupo pró-armas dos EUA diz-se contra “qualquer tipo de proibição”

Spencer Platt / Getty Images

National Rifle Association (NRA) opõe-se à proposta do Presidente Trump para banir venda de ‘bump stocks’ no seguimento do tiroteio num liceu da Florida que provocou 17 mortos, 14 deles alunos, há duas semanas. Várias empresas, entre elas as companhias áereas Delta e United Airlines, já puseram fim a parcerias com a poderosa organização de lóbi que, desde 2016, já desembolsou mais de 30 milhões de dólares para apoiar Donald Trump

A National Rifle Association (NRA) garantiu, este domingo, que não apoia “qualquer proibição” na venda de armas de fogo, abrindo uma potencial frente de guerra com o Presidente norte-americano após este ter proposto proibir a venda de ‘bump stocks’ — engenhos que transformam armas semiautomáticas em automáticas —, na sequência do tiroteio de 14 de fevereiro, no liceu Marjory Stoneman Douglas, na Florida.

Assim declarou Dana Loesch, porta-voz da poderosa organização de lóbi pró-armas dos EUA, que, ao longo de décadas, desembolsou centenas de milhões de dólares para apoiar campanhas políticas — incluindo mais de 30 milhões para Trump desde que este anunciou a sua candidatura à presidência. Numa entrevista à ABC News, a representante do influente grupo defendeu que massacres como o que teve lugar na Florida, há duas semanas, não são da responsabilidade da NRA e apontou o dedo às forças de segurança locais que cometem erros e à falta de ação política.

A sugestão de Loesch seguiu-se a notícias de que o vice-xerife do condado de Broward, que estava à entrada do liceu à hora do ataque, nada fez para travar o atirador, um ex-aluno de 19 anos entretanto formalmente acusado de homicídio. O agente da polícia demitiu-se após estas informações terem chegado a público, um dia depois de Donald Trump ter sugerido que uma solução para evitar massacres como este é “armar os professores”.

Entre as propostas apresentadas pelo Presidente, na semana passada, em resposta ao tiroteio em Parkland, conta-se ainda aumentar a idade mínima para se poder comprar certos tipos de armas de assalto, dos 18 para os 21 anos, e também melhorar os mecanismos de avaliação prévia de potenciais compradores de armas. Uma parte da população norte-americana está contra estas medidas sob o argumento de que vão contra a 2.ª emenda da Constituição, uma alínea do documento fundamental da nação que garante o “direito” dos cidadãos a serem proprietários de armas de fogo.

Alumiados pelo que aconteceu e contra a retórica de longa data, centenas de alunos têm estado a manifestar-se, desde a semana passada, numa série de cidades norte-americanas, incluindo na capital, Washington D.C., contra o que dizem ser a falta de vontade política em alterar as leis sobre controlo de armas. Embaladas por isto, várias empresas têm estado a pôr fim a parcerias e acordos com a NRA, entre elas as companhias aéreas norte-americanas Delta e United Airlines.

A pressão dos consumidores tem sido forte, com milhares de utilizadores do Twitter a partilharem, este fim-de-semana, as hashtags #BoycottNRA e #StopNRAmazon, uma etiqueta que está relacionada com o facto de a gigante cibernética Amazon continuar a permitir que a organização de armas transmita programas em streaming nos seus canais e plataformas.