Internacional

Mulher iraniana que retirou véu islâmico em público condenada a dois anos de prisão

Mais de 30 mulheres iranianas foram detidas desde o final de dezembro do ano passado por terem retirado os seus véus em público, nas ruas de Teerão, capital do Irão

d.r.

Procurador-geral de Teerão, capital iraniana, alegou que a mulher, cuja identificação não foi divulgada, tirou o véu em público para “encorajar a corrupção” e criticou o facto de lhe ter sido apresentada a possibilidade de sair em liberdade condicional ao fim de três meses na prisão

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Uma das mulheres iranianas que, nos últimos meses, apareceu em público com a cabeça descoberta, como forma de protesto contra o uso obrigatório do véu islâmico, foi esta quarta-feira condenada a dois anos de prisão.

Segundo a agência de notícias iraniana Mizan Online, que cita Abbas Jafari Dolatabadi, procurador-geral de Teerão, capital do Irão, a mulher, cuja identidade não foi divulgada, tenciona recorrer da sentença. O procurador alegou ainda que a mulher tirou o véu na rua Enghelab, no centro da capital iraniana, para “encorajar a corrupção”, e criticou o facto de lhe ter sido apresentada a possibilidade de sair em liberdade condicional ao fim de três meses na prisão

Mais de 30 mulheres iranianas foram detidas desde o final de dezembro do ano passado por terem retirado os seus véus em público. Umas foram libertadas - a maioria, aliás - e outras enfrentam acusações, não se conhecendo por enquanto o desfecho dos processos.

Abbas Jafari Dolatabadi, o procurador-geral, informou ainda que não voltará a ser permitido às mulheres conduzir com a cabeça descoberta e o véu caído sobre os ombros, como acontece em algumas zonas da capital iraniana. Se o fizerem, os seus veículos serão apreendidos pela polícia. “Devemos agir com firmeza contra aqueles que questionam deliberadamente as regras sobre o uso do véu islâmico”.