Internacional

Rússia reitera inocência no caso do envenenamento de ex-espião 

O MNE russo, Sergei Lavrov, em declarações aos jornalistas

Anton Novoderezhkin/GETTY

MNE russo exige ter acesso à substância alegadamente utilizada no envenenamento do ex-espião Serguei Skripal

O chefe da diplomacia russa disse esta terça-feira que Moscovo está inocente e "pronto para colaborar" com a investigação ao envenenamento de um ex-espião cuja autoria Londres atribuiu à Rússia, e exigiu ter acesso à substância alegadamente utilizada.

A Rússia está "inocente" e "pronta para colaborar" com as autoridades britânicas na investigação sobre o envenenamento do antigo espião russo Serguei Skripal, "desde que a Grã-Bretanha cumpra as suas obrigações internacionais", garantiu esta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa em Moscovo.

O governante russo reagia assim às declarações da primeira-ministra britânica, Theresa May, que esta segunda-feira afirmou ser "muito provável que a Rússia seja responsável" pelo envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da filha, Yulia, numa declaração no Parlamento em Londres.

Diante dos parlamentares britânicos, May sublinhou que a substância utilizada contra o ex-espião e a filha Yulia, que ataca o sistema nervoso, é "de qualidade militar" desenvolvida pela Rússia.

Na mesma intervenção, a primeira-ministra do Reino Unido deu a Moscovo um prazo, até terça-feira à noite, para fornecer explicações à Organização para a Interdição de Armas Químicas.

Serguei Skripal, de 66 anos, e a filha Yulia, de 33 anos, foram encontrados inconscientes no dia 4 de março, num banco num centro comercial em Salisbury, no sul de Inglaterra.

"O Reino Unido, como bem devem saber a sua primeira-ministra e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, é membro, tal como a Rússia, da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas", afirmou Serguei Lavrov.

Portanto, acrescentou, se Londres suspeitou que houve utilização de uma substância proibida, "deveria ter-se dirigido imediatamente ao país de onde se suspeita que tem origem essa substância".
Nessa situação, de acordo com o que estabelece a Convenção, a Rússia "teria dado uma resposta no prazo de dez dias", referiu.

Em caso de a resposta "não satisfazer o país que pede a informação, esse país – neste caso, a Grã-Bretanha – deve dirigir-se ao conselho executivo da Organização para a Interdição de Armas Químicas e à conferência de países membros", disse ainda.

Lavrov insistiu que Londres tem a obrigação de facultar a Moscovo acesso a todos os materiais relacionados com o caso, assinalando que a parte supostamente implicada na produção de tal substância "reserva-se o direito de ter acesso" à mesma, para poder analisá-la.

"Exigimos, através de uma nota oficial, aceder a esta substância e (...) a todos os elementos da investigação, até porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", mas as pretensões russas foram rejeitadas, indicou.

Entretanto, o Ministério de Negócios Estrangeiros russo convocou esta terça-feira o embaixador do Reino Unido em Moscovo devido a este caso, um dia depois de o diplomata russo em Londres ter sido chamado pelo governo britânico.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou na segunda-feira que o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal é um "incidente muito preocupante".

A Casa Branca classificou esta segunda-feira de "ultraje" o ataque com a utilização de uma substância que atacou os sistemas nervosos de um ex-espião russo e da sua filha, mas não responsabiliza, para já, a Rússia.

A Organização para a Interdição de Armas Químicas (OIAQ) afirmou-se esta terça-feira "vivamente preocupada" com o envenenamento de um ex-espião russo no Reino Unido, ainda em estado crítico após ter sido exposto a um agente químico letal.

Segundo Vil Mirzayanov, um químico que trabalhou no coração do programa soviético e que alertou o mundo para a sua existência, será quase impossível sobreviver ao ataque. “É pelo menos 10 vezes mais poderoso do que qualquer agente nervoso conhecido. Além disso, é praticamente incurável ”, afirmou, citado pelo The Telegraph”.