Internacional

O Texas e a Pensilvânia ajudam a ler o futuro negro de Trump?

Drew Angerer

O Presidente e o seu Partido Republicano parecem ter sido ultrapassados pelos democratas num distrito da Pensilvânia onde Trump conquistou mais 20% de votos que Hillary Clinton em 2016. Derrota antecipada vem juntar-se a uma grande conquista dos democratas nas primárias do Texas há uma semana, as primeiras antes das eleições intercalares de novembro

Ainda não é claro quem venceu as eleições do 18.º distrito da Pensilvânia na terça-feira, numa altura em que os resultados provisórios dão uma ligeira vantagem ao candidato democrata Conor Lamb (49.8%) contra o seu rival republicano, Rick Saccone (49,5%). Apesar disto, Lamb já clamou vitória, com a contagem parcial dos votos a apontar, a par de Siccone, um outro grande derrotado nesta eleição especial para a Câmara dos Representantes: Donald Trump.

É esta a leitura que está a ser feita do renhido plebiscito desta semana num distrito onde, em 2016, o atual Presidente norte-americano conquistou mais 20% de votos que a democrata Hillary Clinton. "O resultado num distrito tão profundamente vermelho [a cor dos republicanos] torna claro quanto terreno Trump tem vindo a perder desde 2016 e vem reforçar o optimismo dos democratas para as eleições intercalares de novembro", apontava o "Guardian" esta quarta-feira de manhã.

Com 0,3% de vantagem sobre o rival republicano na contagem parcial dos votos, Lamb já clamou vitória nas eleições especiais do 18.º distrito da Pensilvânia

Com 0,3% de vantagem sobre o rival republicano na contagem parcial dos votos, Lamb já clamou vitória nas eleições especiais do 18.º distrito da Pensilvânia

Drew Angerer

A antecipada vitória de Lamb surge uma semana depois de o partido da oposição ter firmado uma grande conquista nas primeiras eleições primárias para essas intercalares, que decorreram a 6 de março no Texas, um estado de forte tendência republicana. O que a ida às urnas demonstrou ali nesse dia foi, como apontou a Bloomberg na altura, "uma grande mobilização de democratas zangados com a presidência Trump", com mais do dobro de eleitores do partido a participarem nas primárias em comparação com 2014.

Sem surpresas, o republicano Ted Cruz assegurou a recondução como candidato do partido no poder para disputar o seu assento no Senado com o democrata Beto O’Rourke em novembro. Cruz continua a ser o favorito na corrida ao lugar de senador em representação de um estado onde Trump foi escolhido por mais 9% de eleitores que Clinton, estado esse onde os democratas já não ganham eleições para o Senado desde 1988.

Apesar da antecipada vitória de Cruz nas intercalares — naquele que será o primeiro grande teste à presidência Trump e um termómetro do que o Presidente poderá enfrentar em 2020 — há analistas a defender que as primárias texanas podem ter levantado o véu sobre o que está para vir nos próximos oito meses, sobretudo tendo em conta que o número de democratas mobilizados nas urnas subiu de 510 mil há quatro anos para mais de um milhão.

Doug Jones, 63 anos, foi o primeiro democrata a vencer eleições para o Senado pelo Alabama no último quarto de século

Doug Jones, 63 anos, foi o primeiro democrata a vencer eleições para o Senado pelo Alabama no último quarto de século

FOTO MARVIN GENTRY/REUTERS

A energia demonstrada pelos democratas num estado tradicionalmente republicano, apontam os especialistas, pode ser um bom presságio para o partido minoritário em Washington, se este conseguir manter essa rota de vitórias ao longo do ano e replicar os resultados em áreas onde as corridas ao Congresso serão mais renhidas.

No final de 2017, uma ida às urnas no Alabama já tinha apontado este caminho risonho para a oposição, quando Doug Jones se tornou o primeiro democrata em 25 anos a ser eleito para o Senado por uma maioria dos eleitores daquele estado. Antes disso, em meados de novembro, naquelas que foram as primeiras eleições a ter lugar nos EUA desde a vitória de Trump nas presidenciais de 2016, os democratas também conseguiram derrotar o partido que controla as duas câmaras do Congresso e a Casa Branca em eleições especiais na Virginia e New Jersey.