Internacional

Reunião extraordinária em Haia para discutir “caso Skripal”

GEOFF CADDICK

A pedido da Rússia, a Organização para a Proibição das Armas Químicas reúne-se esta quarta-feira, para discutir as acusações do Reino Unido contra Moscovo no caso do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal

A Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) reúne-se esta quarta-feira, a pedido da Rússia, para discutir as acusações do Reino Unido contra Moscovo, em relação ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal. Em Haia, os especialistas britânicos tentarão persuadir os colegas internacionais de que seguiram os procedimentos corretos neste caso, depois de o chefe executivo do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa ter avançado que o agente nervoso usado no ataque foi identificado pelos cientistas como novichok.

A reunião extraordinária, convocada “devido ao incidente de Salisbury”, acontece exatamente um mês após Sergei Skripal e sua filha, Yulia, terem sido atacados, com a Rússia a anunciar que não “aceitará nenhum resultado da investigação se especialistas russos não participarem”.
Segundo defendeu Alexander Shulguín, representante russo na OPAQ, os especialistas desta organização devem limitar-se a examinar a “composição química da substância, mas sem indicar o país de origem e os responsáveis”, uma vez que essa não é a sua função.

Shulguín adiantou que a OPAQ já procedeu à análise das duas amostras enviadas por Londres, devendo os resultados desta investigação ser conhecidos no final desta semana ou no início da próxima.

O responsável referiu que os especialistas russos não participaram na investigação e que, quando Moscovo solicitou à OPAQ acesso aos exames realizados no Reino Unido, a organização respondeu que necessita da aprovação de Londres.

“Tendo em conta a sua postura (do Reino Unido) em rejeitar qualquer tipo de cooperação connosco, não podemos esperar uma resposta positiva”, explicou Alexander Shulguín.

Em cartas enviadas à OPAQ no domingo, a Rússia apresentou uma série de perguntas com o objetivo de levantar dúvidas sobre os procedimentos seguidos. Segundo o “The Guardian”, Moscovo quer saber os nomes dos cientistas da organização enviados ao Reino Unido; como foi verificada a cadeia de custódia da amostra; qual a legal base para a França apoiar o Reino Unido na realização dos testes e como pode a organização ter a certeza de que os cientistas britânicos não forneceram amostras falsas.

Ainda que a OPAQ não possa atribuir responsabilidade pelo ataque, a identificação do agente nervoso como novichok reforçaria a posição do Reino Unido, que considera Moscovo responsável pelo envenenamento. Isto, apesar de os cientistas do Laboratório britânico de Ciência e Tecnologia de Defesa terem dito que não foi possível confirmar que o agente químico usado no ataque ao ex-espião e a sua filha Julia tenha origem russa.

Por sua vez, a Rússia insiste que destruiu todo o seu arsenal de armas químicas. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acusou mesmo o Reino Unido, os Estados Unidos e outros países de “mentir abertamente” sobre o “caso Skripal”.

“A Rússia não tem nada a ver com o envenenamento dos Skripal e estamos muito interessados, penso mais do que em qualquer outro, em estabelecer a verdade e em conhecer o destino dos nossos cidadãos”, garantiu.

Se a disputa sobre a natureza do agente nervoso de Salisbury chegar a um impasse, a Rússia poderá sairda OPAQ, o que seria um duro golpe para os esforços globais para o controlo de armas químicas.