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Facebook bloqueia Richard Spencer, o homem do “heil, Trump” e que tem orgulho na escravatura

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Já foi definido como “uma espécie de racista profissional”

Richard Spencer, conhecido como figura proeminente da “direita alternativa”, foi banido do Facebook. Não só a sua página pessoal, mas duas outras que controlava. Ainda que a empresa de Zuckerberg não tenha comentado a decisão, a BBC diz que o afastamento parece definitivo e não chega sozinho. Também o grupo anti-islâmico Britain First foi apagado da rede social.

Richard Spencer é um defensor do que chama a “América branca”, hábil no discurso e um típico produto mediático da era pós-Trump. Apesar de cultivar há anos o seu perfil como figura da extrema-direita, Richard Spencer ficou na mira dos holofotes ao saudar o discurso vitorioso do atual Presidente norte-americano, em 2016, com um “heil, Trump!”, acompanhado do gesto nazi de erguer o braço direito. A imagem ficou famosa, o personagem também.

Licenciado en literatura inglesa e música, Spencer, 39 anos, nega ser nazi e supremacista branco. Mas é favorável à criação de um país restrito aos brancos e assume orgulho pela escravatura. Quer um “etnoEstado em que a nossa gente e as nossas famílias possam voltar a viver seguras”, diz, identificando as ameaças nas comunidades negras, latinas, feministas e gay.

Mais recentemente voltou a destacar-se nos protestos de Charlottesville, em 2017, onde se opôs à remoção de uma estátua do líder confederado Robert E Lee - uma pessoa morreu - e discursou em diferentes campus universitários, como os da Universidade da Flórida e do Michigan.

Na senda de Stephen Bannon, estratega e ex-assistente de Trump, que deixou a Casa Branca, repete com ênfase os discursos xenófobos e os novos conteúdos extremistas reacionários que estão vinculados ao movimiento ‘alt-right’.

Filho de um oftalmologista e de uma herdeira de uma plantação de algodão no sul dos Estados Unidos, avaliada em milhões de dólares e que hoje já é propriedade sua, já foi definido como “uma espécie de racista profissional, com calças de pinças”.

Em novembro foi mesmo proibido de circular no espaço Schengen, depois de os 26 países europeus onde é possível viajar sem visto terem vetado a sua entrada durante cinco anos.

A decisão do Facebook não parece, no entanto, motivada por nenhuma iniciativa recente de Spencer ou eventual nova polémica, estando a ser interpretada como uma resposta às críticas recentes que têm sido dirigidas à empresa, nomeadamente acusada de não proteger os dados dos seus utilizadores.