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“Ou solta Lula ou não vai ter sossego”: apoiantes do ex-presidente invadem tríplex do Guarujá

PAULO WHITAKER/ Reuters

Apartamento que está no centro da acusação ao ex-presidente brasileiro foi ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto

Saltaram o gradeamento, entraram no prédio e subiram as escadas. Já lá em cima, arrombaram a porta e entraram naquele que é o ponto central da acusação – e consequente detenção – de Lula da Silva: o tríplex de luxo no condomínio do Guarujá. O local foi esta segunda-feira ocupado por um grupo de cerca de 30 pessoas, que pertence ao Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto. Foram para a varanda e afixaram bandeiras. “Não tem arrego. Ou solta Lula ou não vai ter sossego”, gritaram.

Segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, o grupo chegou durante a madrugada ao condomínio. “É uma denúncia da farsa judicial que levou Lula à prisão. Se o tríplex é dele, então o povo está autorizado a ficar lá. Se não é, precisam de explicar porque ele está preso”, justificou Guilherme Boulos à publicação brasileira.

Entretanto, a Polícia Militar foi chamada ao local e, após negociações, os manifestantes acabaram por deixar o apartamento. Estiveram retidos quase 2h15.

Guilherme Boulos e o movimento que lidera são próximos de Lula. O protesto tinha como objetivo contestar a prisão de Lula da Silva, que consideram ilegal e que serve apenas para impedir que este se candidate às eleições presidenciais de outubro.

O apartamento de luxo num condomínio do Guarujá, no litoral de São Paulo, está no centro do caso que à detenção de Lula da Silva para cumprir os 12 anos e um mês de prisão a que está condenado. Em causa estão os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Lula da Silva foi acusado de ter sido beneficiado com obras no imóvel, no valor de 2,2 milhões de reais (mais de meio milhão de euros), feitas pela construtora OAS. Segundo o Ministério Público Federal, a reforma foi oferecida pela empresa como compensação por ações do ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

O apartamento tríplex no Guarujá encontra-se registado em nome da construtora OAS, mas o Ministério Público acredita ser propriedade de Lula da Silva. Apesar de o imóvel ser referido na Operação Lava Jato, trata-se de um processo independente daquele que investiga o alegado esquema de corrupção que envolve a petrolífera Petrobrás.

Por diversas vezes, Lula negou ser o proprietário do apartamento situado no último piso de um condomínio no Guarujá.

O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde que o juiz Sérgio Moro ordenou a sua detenção. A 7 de abril, mais de 24 depois de ter expirado o prazo máximo para se entregar, Lula apresentou-se às autoridades.