Internacional

Rússia dá luz verde a inspetores de armas químicas na Síria

Douma é a maior cidade da região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, capital da Síria

HAMZA AL-AJWEH / GETTY IMAGES

Técnicos da Organização para a Proibição de Armas Químicas só terão acesso a Douma 11 dias depois do alegado ataque químico que matou dezenas de civis. Chefe da diplomacia de Moscovo assegura que “a Rússia não adulterou o local” e devolve acusações aos EUA, Reino Unido e França, que conduziram os ataques de retaliação

Os inspetores de armas químicas na Síria têm autorização para visitar o local do alegado ataque químico esta quarta-feira. A luz verde foi dada pela Rússia à equipa internacional que se encontra no país desde sábado mas que não foi ainda autorizada a visitar Douma, a cidade a cerca de 10 quilómetros da capital Damasco que terá sido palco do ataque químico.

O alegado ataque de 7 de abril é negado pela Síria e pela Rússia, com as autoridades russas a apelidá-lo de “encenação”. Uma semana depois, EUA, Reino Unido e França responderam com ataques militares de retaliação contra alvos do regime sírio.

Quando chegarem ao local os inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), terão passado 11 dias desde o ataque atribuído ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, que visou civis e matou dezenas de pessoas. Os inspetores deverão recolher amostras de solo e outras para tentarem identificar possíveis substâncias usadas no ataque. No entanto, o enviado dos EUA para a OPAQ mostrou-se preocupado com a possibilidade de a Rússia ter visitado o local e tê-lo adulterado para impedir a investigação.

Em entrevista à BBC, o ministro russo das Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, garantiu esta segunda-feira que “a Rússia não adulterou o local” e que as alegadas provas que sustentaram os ataques de retaliação foram apenas “baseadas em relatos de media e redes sociais”. O chefe da diplomacia russa juntou-se a outros responsáveis que criticaram os EUA, o Reino Unido e a França por desencadearem os ataques antes de a equipa da OPAQ conduzir as suas investigações.

Esta segunda-feira, a televisão estatal anunciou que as defesas aéreas da Síria tinham respondido a um ataque com mísseis na cidade de Homs, na parte ocidental do país. Os mísseis terão visado a base aérea de Shayrat mas a autoria dos disparos não foi referida. Já o Hezbollah, a milícia pró-iraniana, fez saber que as defesas aéreas sírias tinham intercetado três mísseis disparados contra o aeroporto militar de Dumair, a nordeste da capital. Um porta-voz do Pentágono negou perentoriamente: “Não há atividade militar dos EUA nessa área, neste momento”.