Internacional

Ataque aéreo a Gaza. “Qualquer lugar pode ser um alvo de Israel a qualquer momento. Por isso o ataque é em todo o lado”

MAHMUD HAMS

Perto da uma da manhã (23h00 em Portugal continental), Israel terá lançado uma série de ataques aéreos contra posições do Hamas na Faixa de Gaza. Este tipo de ataques já aconteceram outras vezes e o último foi há menos de uma semana. "O hotel abanou, as janelas abanaram. Dezenas de mísseis foram lançados por drones e F-16", conta Jomma Sommarstrom, jornalista sueco da Swedish Radio em Gaza. Já Ahmed Salama, fotografo em Gaza, diz que os ataques devem ter atingido zonas descampadas mas como Gaza é tão pequeno, "há pessoas e edifícios perto dos locais atacados"

Na madrugada desta quinta-feira (quando passava pouco das 23h00 em Portugal), Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza. Sexta-feira passada tinha ficado marcado como o dia mais violento em Gaza desde 2014. Mais de 50 palestinianos foram mortos pelo exército israelita em protestos na Faixa de Gaza contra o bloqueio económico e social que sofrem há mais de dez anos - e pelo direito de regressarem a um território que consideram ocupado por Israel. No sábado, Israel fechou um dos principais postos fronteiriços com Gaza e destruiram um dos túneis contruidos pela milícia palestiana Hamas construidos numa tentativa de continuar a trazer bens essenciais para Gaza.

O jornal "Times of Israel" confirmou que Israel conduziu uma série de ataques a bases militares no norte da Faixa de Gaza e cita fontes da imprensa palestiniana avançando ainda que estes ataques terão sido uma reposta aos alegados ataques da milícia palestiniana Hamas à cidade israelita de Sderot, que fica perto da fronteira com Gaza. De acordo com o jornal, seis alvos foram atacados.

Nisreen Ashabrawi, estudante de Gaza de 21 anos, ouviu as explosões e conta uma revolta que não é só contra Israel mas também contra o armamento fornecido pelos Estados Unidos. "As forças israelitas estão a bombardear Gaza não apenas com F-16 norte-americanos como também nos estão a atingir com gás lacrimógeneo". Em Gaza, diz, "qualquer lugar pode ser um alvo de Israel a qualquer momento. Por isso o ataque é em todo o lado".

Ahmed Salama é fotógrafo em Gaza e descreveu ao Expresso, através de uma conversa no serviço de mensagens instantâneas do Twitter, os primeiros momentos depois do ataque: "Ouvi três fortes explosões a cerca de quinze quilómetros de onde estou. Penso que os ataques tenham atingido zonas descampadas e até agora não me chegaram notícias de que tenha havido mortos". Ainda assim, salienta, "há pessoas e edifícios perto dos locais atacados". Não há registo de vítimas até ao momento e, por isso, Ahmed ironiza: "Não há mortos ou feridos por isso isto é tudo normal". Alguns palestinianos, contudo, preferem não dramatizar, apesar de também falar de uma normalidade que não tem nada de normal. "Este ataque não foi mais forte que os outros, teve a mesma intensidade e não creio que tenha sido o iníicio de uma ação prolongada, foi só mais um ataque", diz por sei lado Mohamed Halabi, funcionário público em Gaza.

Cerca de cinco horas antes do ataque, as Forças de Defesa israelitas confirmaram, através da sua conta no Twitter, que tinham atingido dois postos militares do Hamas no Sul de Gaza. As informações agora parecem ser que os ataques divergiram para o ocidente e norte da pequena faixa de terra que, no total, tem 41 quilómetros de comprimento.

As mortes de sexta-feira elevaram para 112 o número de palestinianos mortos na Faixa de Gaza desde o início, a 30 de março, de um movimento de contestação em massa, a "Marcha do Retorno". Entre os 60 civis palestinianos hoje abatidos a tiro pelo exército israelita, contavam-se “oito crianças com menos de 16 anos”, afirmou o embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour, em conferência de imprensa, acrescentando que “mais de 2.000 palestinianos ficaram feridos” durante os protestos.

Jomma Sommarstrom, jornalista sueco da Swedish Radio em Gaza, também partilhou o que viu - e sentiu. Estava no quarto de hotel em Gaza quando as explosões aconteceram e ouviu quatro, duas delas muito próximas de onde está. "O hotel abanou, as janelas abanaram. Dezenas de mísseis foram lançados por drones e F-16", conta ao Expresso. As informações que recolheu no local, e que partilhou, dão conta de seis ataques a fábricas de armamento e posições militares do Hamas.