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Saída do euro e aproximação à Rússia: revelado acordo governamental italiano que está a assustar Bruxelas

Matteo Salvini, líder da Liga, após novo dia de reuniões sobre formação de um novo Governo com o Movimento Cinco Estrelas

Antonio Masiello/Getty Images

O documento preliminar, assinado entre a Liga e o Movimento Cinco Estrelas, prevê também a criação de um órgão paralelo ao Conselho de Ministros para decisões políticas autónomas, além do pedido para o perdão da dívida italiana. Os parceiros da coligação garantem que o documento divulgado pelo “Huffington Post” é “uma versão antiga”. No entanto, o texto tem a data de 14 de maio de 2018

A criação de um mecanismo para sair da moeda única se necessário, o objetivo de receber uma espécie de anulação da dívida italiana pelo Banco Central Europeu e a conceção de um órgão paralelo ao Conselho de Ministros para tomar decisões políticas sem passar pelos canais normais. Estas são algumas das medidas previstas no esboço do acordo de Governo em Itália, entre a Liga e o Movimento Cinco Estrelas. O documento foi divulgado, em exclusivo, na noite desta terça-feira pela edição italiana do jornal “Huffington Post”.

O texto preliminar, com 39 páginas, prevê ainda uma maior aproximação à Rússia e pede a retirada das sanções comerciais contra o regime de Vladimir Putin. O Kremlin não é entendido como uma ameaça, mas como “um parceiro económico e comercial”, refere o documento, que também exige a reabilitação imediata da Rússia como “um interlocutor estratégico” em áreas como a Síria, a Líbia e o Iémen.

Os parceiros da coligação garantem que o documento divulgado pelo jornal é “uma versão antiga que foi amplamente modificada no decurso de reuniões recentes”. “A versão atual não corresponde a isso. Muitos conteúdos mudaram radicalmente. Sobre o euro, por exemplo, as partes decidiram não questionar a moeda única”, acrescentam. No entanto, o documento tem a data de 14 de maio de 2018.

Na semana passada, o Presidente de Itália, Sergio Mattarella, mostrou-se sensível aos pedidos do Movimento Cinco Estrelas e da Liga para uma extensão do período de negociações. O impasse para a formação de um Governo dura há mais de dois meses. Nas eleições de 4 de março, o Cinco Estrelas foi o partido mais votado, seguindo-se o Partido Democrático, de centro-esquerda. Contudo, em bloco, foi a coligação de direita – que juntou a Força Itália (de Berlusconi) e a Liga (de extrema-direita) – a conseguir mais votos. Nenhuma das forças tem assentos suficientes para governar sozinha.