Internacional

“Dhlakama nunca renunciou ao diálogo e essa é a sua maior herança”

Líder da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama, aperta a mão do Presidente Filipe Nyusi durante conversações de paz em 2015

Sergio Costa/AFP/Getty Images

A posição sobre o líder histórico da Renamo foi defendida, em entrevista à Deutsche Welle, pelo professor italiano Andrea Riccardi, um dos principais nomes que mediaram o acordo de paz em Moçambique. As negociações de paz foram para Afonso Dhlakama “uma escola”, acrescenta. O antigo líder do maior partido da oposição em Moçambique morreu a 3 de maio

Um dos principais nomes que mediaram o acordo de paz em Moçambique disse esta quarta-feira que “Dhlakama teve um papel importante” nessa mediação. Em entrevista à DW África, o professor italiano Andrea Riccardi, que trabalhou diretamente com o antigo líder da Renamo, afirmou que Afonso Dhlakama se tornou “consciente de que a guerrilha não trazia nada de positivo” ao país.

No seu escritório na Sociedade Dante Alighieri, no centro de Roma, o professor lembra um encontro com o líder histórico do segundo maior partido moçambicano na capital italiana.

“Recordo[-me] da sua felicidade, da assinatura [do acordo] de paz e lembro-me de um homem que tinha perspicácia política. Talvez o seu grande desafio tenha sido aquele da procura dos colaboradores, da criação de uma classe dirigente da Renamo que hoje existe e penou um pouco no início”, acrescenta Andrea Riccardi.

Segundo o professor, as negociações de paz foram para Dhlakama “uma escola, uma passagem da lógica da guerrilha à lógica da política”. O ex-líder do maior partido da oposição em Moçambique, que morreu a 3 de maio, “apoiou honestamente o nascimento de um país democrático e pluralista”, continua Riccardi aos microfones da secção africana da Deutsche Welle.

“No último período, houve grandes problemas entre Frelimo, Governo e Renamo”, mas Dhlakama “nunca renunciou ao diálogo”, sublinha.

O professor italiano espera que Moçambique prossiga agora “nesta estrada de diálogo”, dizendo acreditar que “a melhor herança de Dhlakama é justamente essa”.