Internacional

Espanha recebe navio com 629 migrantes recusado por Itália e Malta. “É desumano deixá-lo à deriva”

Um refugiado a bordo do Aquarius. Foto tirada a 8 de maio ao largo da Líbia

LOUISA GOULIAMAKI/Getty

Em Itália há autarcas revoltados com o caso. “Se um ministro sem coração deixa morrer no mar mulheres grávidas, crianças, idosos, seres humanos, o porto de Nápoles está pronto a acolhê-los.” Barco vai agora para Valência

O recém-indicado primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, vai aceitar em Espanha os mais de 600 migrantes e refugiados a bordo do navio "Aquarius", segundo um comunicado enviado pelo seu gabinete ao jornal "El País". Sánchez terá dado ordens para que o "Aquarius" seja recebido no porto de Valência, depois de tanto Itália como Malta o terem recusado. “É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a estas pessoas, cumprindo desta forma as obrigações do direito internacional”, disse Pedro Sánchez.

A presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, disse que “antes de mais é preciso salvar as vidas humanas” e o presidente da Câmara de Valência, Joan Ribó, que receberá o navio, destacou o papel da sua cidade como “cidade refúgio” e considerou “absolutamente desumano que se deixe um barco à deriva nesta situação”.

Mesmo depois de uma eleição que colocou no poder uma coligação populista e com uma mão mais dura no controlo da imigração, alguns presidentes de câmaras italianas quebraram as instruções do Governo e disseram publicamente estar disponíveis para receber os 629 imigrantes abordo do "Aquarius". “Se um ministro sem coração deixa morrer no mar mulheres grávidas, crianças, idosos, seres humanos, o porto de Nápoles está pronto a acolhê-los”, escreveu o presidente da Câmara da cidade italiana, Luigi de Magistris, no Twitter.

Depois de Nápoles, também os presidentes das autarquias de Messina e de Palermo se mostraram disponíveis para deixar atracar o barco nas suas cidades. Apesar da boa vontade, esta é uma posição unicamente política porque o controlo dos portos não depende das autarquias mas sim da Polícia Marítima, que depende do Ministério do Interior, gerido por Matteo Salvini, fortemente contra a política de "portas abertas" que considera vigente na União Europeia.

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