Internacional

No Aquarius, a comida só chega para mais uma refeição

Kenny Karpov/SOS MEDITERRANEE

Com Itália e Malta a recusarem o desembarque dos 629 migrantes nos seus portos, o Aquarius - o navio que pertence a organização não governamental europeia - vê-se obrigado a continuar em alto mar, parado e sem destino. Está sobrelotado e a comida escasseia. Neste momento não é viável atracar em Espanha

Há mais de 72 horas que 629 pessoas estão em alto mar no Mediterrâneo. Não sabem quantas mais horas ali vão ficar, algures entre a costa de Itália e a de Malta. Estão paradas sem terem um porto seguro para onde ir. O navio Aquarius, que pertence a uma organização não governamental europeia, está sobrelotado. Há pessoas a mais e mantimentos a menos – e isso vai piorar nas próximas horas. Estima-se que a comida disponível a bordo só chegue para mais uma refeição.

Através das redes sociais, a SOS Mediterranee e os Médicos Sem Fronteiras, as duas ONG a bordo que estão a dar apoio às pessoas resgatadas, têm divulgado detalhes sobre a operação. Asseguram que ainda não há porto seguro definido para atracarem, apesar de ao longo do dia Espanha se ter disponibilizado para acolher o navio e os passageiros em Valência.

Em declarações ao Expresso, fontes de ambas as organizações explicam que a viagem até Valência demoraria entre três e quatro dias e que essa opção não é, de momento viável, uma vez que o navio está sobrelotado e não é possível garantir a segurança das pessoas a bordo.

Na madrugada de sábado para domingo, o Aquarius resgatou centenas de pessoas em seis operações de salvamento diferentes. Entre as 629 pessoas que se encontram a bordo incluem-se 123 menores de idade desacompanhados, 11 crianças e sete grávidas. Depois da noite de resgate, o Aquarius começou navegar para norte.

Foi nessa altura que começaram as informações contraditórias na imprensa italiana, com as autoridades a garantirem que tinham pedido a Malta para assegurar a chegada das 629 pessoas. “No entanto, não recebemos formalmente qualquer ordem para ir para Malta. Ao final da tarde, a coordenação de resgate marítimo de Roma mandou-nos parar e esperar a 35 milhas náuticas de Itália e a 257 milhas náuticas de Malta”, garante a SOS Mediterranée.