Internacional

Riscos de guerra comercial Canadá-EUA aumentaram no Quebec

Já correu melhor, Justin Trudeau

CHRIS WATTIE / Reuters

Durante a reunião do G7 no Quebec, o Canadá foi acusado de “apunhalar os EUA pelas costas”. Ainda a procissão vai no adro

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

A anedota do dia diz que o líder norte-coreano, Kim Jung-un, se ofereceu para mediar as relações entre os Estados Unidos e o Canadá. Este sentido de oportunidade decorre do estado em que ficaram as relações entre aqueles dois tradicionais parceiros comerciais depois da 44ª reunião do G7 que teve lugar no Canadá nos últimos sexta e sábado.

As notícias de hoje reportam o apoio incondicional dos funcionários de topo da administração Trump ao seu Presidente, depois da guerra de palavras que irrompeu durante a reunião entre os até agora aliados.

Donald Trump insiste que o encontro do G7 foi “muito amigável”, acrescentando, citado pela BBC: “Vou ser honesto, virtualmente todos os outros países estão em vantagem relativamente aos Estados Unidos”. E ilustra com um défice comercial com o Canadá de perto dos €100 mil milhões.

Trump admitiu ter cara de poucos amigos na fotografia da reunião em que enfrenta a chanceler alemã, Angela Merkel, mas insistiu que a reunião foi amigável e que estavam “apenas a falar sobre uma coisa sem relação com nada”, cita a BBC.

Em registo de afirmação seguido de desmentido, Trump chamou à sua relação com o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, “uma boa relação”. Disse também ter “uma boa relação com Merkel”, seguido da censura: “mas a Alemanha só paga 1% do seu PIB à NATO [para defesa]”.

“Preparem-se para o pior”, lê-se esta terça-feira no site do diário britânico “The Guardian”. As relações azedas entre o Canadá e os EUA alimentam receios de uma guerra comercial.

A diplomacia canadiana multiplica esforços para impedir a deterioração das relações entre os dois países, que aumento com a reunião no Quebec, lembrando que os EUA são o principal parceiro económico do vizinho a norte.

Nesse sentido, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, irá a Washington ainda esta semana para falar de relações comerciais numa tentativa de repor o bom ambiente entre os dois parceiros.

Segundo “The Guardian”, dois conselheiros de Trump acusaram Trudeau de “apunhalar os EUA pelas costas”, depois de o chefe do Governo ter referido as políticas comerciais agressivas de Trump.

“Tem havido momentos de tensão em vários momentos da história das relações Canadá-EUA, mas nunca ouvi nada como este tipo de linguagem que a administração Trump tem usado em relação ao Canadá”, declarou Roland Paris, um académico especialista em relações internacionais que foi conselheiro de Trudeau no passado.

Os EUA continuam a ser o maior parceiro comercial do Canadá com um volume de negócios avaliado em perto de €650 mil milhões. Porém, Donald Trump alegou que o Canadá tem um surplus comercial com os EUA, uma declaração que não é sustentada por nenhuma prova, escreve “The Guardian”.