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Abusos sexuais de crianças no Chile. Polícia e procuradores realizam buscas em escritórios da Igreja Católica

CLAUDIO REYES // Getty Images

Documentos relacionados com abusos sexuais e encobrimento foram apreendidos durante visitas-surpresa. Arcebispo da capital do país assegura que a Igreja está a cooperar com o sistema judiciário. Na segunda-feira, o Papa aceitou a renúncia de três bispos chilenos na sequência do escândalo

Forças policiais e procuradores chilenos invadiram esta quarta-feira escritórios da Igreja Católica e apreenderam documentos relacionados com o escândalo de abusos sexuais de crianças e o respetivo encobrimento. As visitas-surpresa ocorreram na capital do país, Santiago do Chile, e na cidade de Rancagua.

O arcebispo de Santiago, o cardeal Ricardo Ezzati, disse que os responsáveis da Igreja deram aos promotores toda a documentação solicitada e que estavam a cooperar com o sistema judiciário.

Dois enviados do Vaticano estão no Chile para investigar as alegações de abusos e aconselhar as dioceses sobre como responder. Trata-se da segunda visita dos responsáveis papais, destinada também a recolher declarações das vítimas. Os enviados já compilaram um relatório em que se conclui que a Igreja do Chile encobriu casos de abuso e destruiu provas.

Na segunda-feira, o Papa Francisco aceitou a renúncia de três bispos chilenos na sequência do escândalo, incluindo a do polémico Juan Barros, acusado de encobrir abusos sexuais cometidos nos anos 1980 e 1990. Em janeiro, durante uma visita ao país, o Papa disse que as alegações contra o bispo constituíam “difamação”, vindo mais tarde a pedir desculpas às vítimas.

Nos últimos 18 anos, cerca de 80 padres católicos foram denunciados às autoridades chilenas por alegados abusos sexuais.