Internacional

Coligação militar ataca principal porta de entrada de ajuda humanitária no Iémen

NABIL HASSAN //Getty Images

O porto de Hodeida foi atacado por terra e ar por forças leais à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos que tentam expulsar os rebeldes houthis apoiados pelo Irão. O ataque deverá interromper a entrega de alimentos e outros bens essenciais a milhões de iemenitas. Oito dos cerca de 28 milhões de iemenitas correm o risco de morrer à fome, estimam a ONU e agências internacionais de apoio

Uma coligação militar de forças leais à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos atacou por terra e ar o principal porto do Mar Vermelho no Iémen esta quarta-feira. O objetivo do ataque era expulsar os rebeldes apoiados pelos iranianos do porto de Hodeida, uma das principais portas de entrada de carregamentos de navios com ajuda humanitária e bens comerciais no país.

Segundo avança o jornal “The New York Times”, embora os combates parecessem limitados à periferia da cidade, a perspetiva de uma continuação dos confrontos deverá resultar numa das mais sangrentas batalhas urbanas da guerra, aprofundando o que já é definido como uma situação catastrófica no mais grave desastre humanitário do mundo. O mais recente ataque deverá interromper a entrega de alimentos e outros bens essenciais a milhões de iemenitas.

As Nações Unidas e agências internacionais de apoio estimam que oito dos cerca de 28 milhões de iemenitas correm o risco de morrer à fome depois de anos de guerra e com o principal porto atacado. Confrontos prolongados em Hodeida podem mesmo rivalizar com os devastadores combates em Alepo, na Síria, ou Mossul, no Iraque. De acordo com a ONU, 250 mil pessoas, ou seja, quase metade da população da cidade portuária, correm o risco de ferimentos ou morte na eventualidade de ocorrer um assalto urbano.

Ofensiva naval para tomar o porto

Nos últimos dias, a Cruz Vermelha e as Nações Unidas retiraram a maioria dos seus funcionários da cidade. No entanto, os confrontos terão consequências muito para além do perímetro urbano, uma vez que o porto de Hodeida é o principal ponto de entrada da ajuda para o resto do país.

Na sequência do ataque de quarta-feira na fronteira sul da cidade, por terra e ar, os Emirados Árabes Unidos sinalizaram que estariam a planear uma ofensiva naval para tomar o porto. Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, anunciaram entretanto que impediram uma aterragem no mar perto do porto.

O jornal norte-americano recorda que a guerra entre a coligação árabe e os houthis é apenas uma das faces da instabilidade que atingiu o Iémen. No sul, forças locais, apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos e assistidas por drones americanos, estão a lutar contra o ramo iemenita da Al-Qaeda. Os insurgentes do sul querem separar-se do norte, enquanto o Presidente internacionalmente reconhecido do Iémen, Abdu Rabbu Mansour Hadi, não tem um eleitorado natural no país e vive exilado na Arábia Saudita.