Internacional

António Guterres “muito preocupado” com a situação na Nicarágua

EDUARDO MUNOZ/ Reuters

Secretário-geral das Nações Unidas apoia a mediação dos bispos para uma saída pacífica para a crise no país

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas está "muito preocupado" com a violência na Nicarágua e apoia a mediação dos bispos para uma saída pacífica para a crise no país, afirmou nesta quarta-feira o seu porta-voz. "É uma situação que (António Guterres) tem estado a seguir de muito perto e apoia o trabalho feito pelos bispos católicos para um diálogo político", afirmou Stéphane Dujarric, na sua conferência de imprensa diária.

Em comunicado posterior, Dujarric acrescentou que a ONU "deplora a perda de vidas nos protestos e o ataque contra os mediadores da Igreja católica no diálogo nacional". No texto, acrescentou-se que "o secretário-geral reconhece o importante papel de mediação da Conferência Episcopal Nicaraguense e insta todas as partes a respeitar o papel dos mediadores, abster-se do uso da violência e comprometer-se plenamente em participar no diálogo nacional para reduzir a violência e encontrar uma solução pacífica para a crise atual".

Hoje, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o gabinete do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos condenaram a violência recente, que só no fim de semana causou mais 20 mortos, e pediram o desarmamento "urgente" dos grupos "pró governamentais".

Entretanto, a Conferência Episcopal da Nicarágua decidiu continuar a mediar o processo de diálogo nacional, apesar das agressões físicas e verbais os seus representantes sofreram na segunda-feira.

Neste dia, um grupo de agentes para policiais irrompeu violentamente em uma basílica da cidade de Diriamba, situada 42 quilómetros a sul de Manágua, onde agrediram os bispos, entre os quais o núncio apostólico Stanislaw Waldemar Sommertag, o cardeal Leopoldo Brenes e o bispo Silvio Báez.

A CIDH avançou hoje que 264 pessoas foram mortas na Nicarágua desde que em abril começaram os protestos contra o presidente Daniel Ortega e que mais de 1.800 ficaram feridas.
Porém, registos de organizações humanitárias locais indicam que o número total de mortos é de, pelo menos, 351.