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Fronteira EUA-México. No momento do reencontro, algumas crianças não reconhecem as mães

Spencer Platt/Getty Images

A conclusão é do jornal “The New York Times”, que acompanhou os reencontros desta terça-feira em Phoenix. As reuniões que aconteceram, em número bastante abaixo do indicado por ordem judicial, foram caóticas, acrescenta o jornal. As crianças foram separadas dos pais ao abrigo da política de “tolerância zero” de Trump, que acabou por recuar perante o coro de críticas à medida

Algumas das crianças, separadas nos últimos meses dos familiares ao longo da fronteira entre os EUA e o México e que estão agora a ser devolvidas ao núcleo familiar, não reconhecem as mães. A conclusão é da equipa de reportagem do jornal “The New York Times”, que acompanhou os reencontros desta terça-feira em Phoenix, no estado norte-americano do Arizona.

É o caso de Mirce Alba Lopez, que contou ao diário que o filho Ederson, com três anos, não a reconheceu: “A minha alegria transformou-se temporariamente em tristeza”. E de Milka Pablo, cuja filha Darly, também com três anos, gritou e tentou libertar-se dos braços da mãe, chamando pela trabalhadora social com quem viveu nos últimos tempos.

As autoridades estavam a tentar cumprir o prazo judicial dado para o reencontro de 102 crianças migrantes com menos de cinco anos com os seus pais. O prazo, estabelecido para esta terça-feira, terá sido largamente incumprido, podendo mesmo não se ter chegado às 30 crianças reunidas com a família nuclear.

Pais avisados de que horários podiam mudar ao longo do dia

Segundo o jornal, os reencontros que acabaram por acontecer foram caóticos. Os pais foram avisados de que os horários de recolha e entrega poderiam mudar ao longo do dia, enquanto a agência que supervisiona o acolhimento das crianças migrantes ainda estava a fazer verificações de possíveis antecedentes criminais dos pais na manhã desta terça-feira. Em Phoenix, todos os adultos tinham pulseiras de monitorização nos tornozelos, acrescenta o “New York Times”.

Confrontados com duas ordens judiciais conflituantes, os agentes federais queixaram-se ao jornal de que tinham as mãos atadas ao tentarem libertar as crianças após 20 dias de detenção e, ao mesmo tempo, mantê-las com os pais ou outros familiares adultos.

Ordens judiciais incumpridas no meio de pesadelo logístico

Na terça-feira, previa-se que a ordem para juntar famílias de migrantes, que a administração Trump separou, seria cumprida apenas pela metade. Nem esse objetivo, revisto em baixa, terá sido alcançado.

Em junho, a juíza Dana Sabraw ordenou que cerca de 100 crianças menores de cinco anos fossem devolvidas aos pais até esta terça-feira. No entanto, apenas 54 deverão reunir-se com a família, um número estimado até ao final desta semana. Ainda segundo a mesma juíza de San Diego, as cerca de duas mil crianças mais velhas deverão reencontrar-se com os seus familiares até 26 de julho.

As crianças foram separadas dos pais ao abrigo da política de “tolerância zero” de Donald Trump. As separações estavam em vigor desde o início de maio até que em junho, debaixo de um coro de críticas, o Presidente dos EUA interrompeu a prática.

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    A badalada “tolerância zero” do Presidente dos EUA, Donald Trump, em relação aos migrantes sem documentos conheceu nas últimas horas avanços e recuos. Face à pressão política e humanitária, Trump pareceu recuar e assinou um decreto a proibir que as crianças fossem afastadas dos pais para, pouco depois, assegurar que continuará a agir com mão pesada. Mais preocupante ainda parece ser a administração de enormes quantidades de psicotrópicos a crianças, entretanto revelada. “O sofrimento e o desamparo têm efeitos para toda a vida”, diz uma das psicólogas ouvidas pelo Expresso

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    Num outro revés, a ordem judicial para reunir famílias de migrantes que a administração separou na fronteira EUA-México deverá ser cumprida apenas pela metade e já fora do prazo estabelecido. Apenas 54 das cerca de 100 crianças deverão ser devolvidas aos seus pais até ao final da semana. As crianças foram separadas dos pais ao abrigo da política de “tolerância zero” de Trump