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Sudão do Sul. Mais de 230 mortos e violência sexual “como arma de guerra” em pouco mais de um mês, denuncia ONU

PATRICK MEINHARDT/AFP/Getty Images

Pelo menos 120 mulheres e meninas violadas, incluindo uma menina de quatro anos, e idosos e pessoas com deficiência queimados vivos são outros dos dados que constam do relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Documento analisa atuação das forças do Governo e aliados e de grupos de jovens armados, entre 16 de abril e 24 de maio. “Atos podem equivaler a crimes de guerra”, diz agência da ONU

Pelo menos 232 civis mortos em ataques das forças governamentais do Sudão do Sul e seus aliados. Pelo menos 120 mulheres e meninas violadas, incluindo uma menina de quatro anos. Idosos e pessoas com deficiência queimados vivos. É este o balanço que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos faz em pouco mais de mês no estado da Unidade, no Sudão do Sul.

O relatório, divulgado esta terça-feira em Genebra, “lista atos que constituem graves violações dos direitos humanos e abusos do direito humanitário internacional, que podem equivaler a crimes de guerra”. O documento analisa a atuação das forças do Governo e dos seus aliados, bem como de grupos de jovens armados, em aldeias de áreas controladas pela oposição, entre 16 de abril e 24 de maio.

Os ataques atingiram 40 aldeias controladas pelos rebeldes, onde camponeses foram abatidos, mulheres enforcadas e civis executados enquanto tentavam escapar. O alto comissário Zeid Ra’ad Al Hussein refere que três oficiais foram identificados como os principais responsáveis por estas graves violações dos direitos humanos.

Violência sexual “como arma de guerra”

Segundo Al Hussein, a violência sexual foi usada “como arma de guerra” e, além das 120 mulheres e meninas violadas, pelo menos outras 132 foram sequestradas. O alto comissário da agência da ONU estima que cerca de oito mil pessoas estejam escondidas em arbustos e pântanos, enquanto 18 mil terão fugido para a cidade de Mayendit.

Três trabalhadores humanitários locais foram mortos e as suas instalações destruídas, deixando muitas pessoas num estado vulnerável, sem comida, água, medicamentos e abrigo.

Zeid Ra’ad Al Hussein exorta o Governo Nacional de Transição e a União Africana a tomarem medidas para o rápido estabelecimento e operacionalização do Tribunal Híbrido do Sudão do Sul. “O Governo e a comunidade internacional estão obrigados a assegurar a justiça” no país para que os responsáveis por esta violência sejam julgados, conclui.