Internacional

Malala no Rio de Janeiro. Marielle, Pelé, Paulo Coelho e até um Croácia-Inglaterra num quiosque em Copacabana

Rede Nami

A Nobel da Paz está no Brasil a discutir e refletir sobre o papel das mulheres na sociedade brasileira. Depois de uma feijoada vegetariana, Malala Yousafzai viu um jogo do Campeonato do Mundo na praia enquanto o pai dava uns pontapés na bola. A paquistanesa festejou o 21.º aniversário na quarta-feira

O Vale Swat, no Paquistão, é o lugar preferido de Malala. Um atentado contra a paquistanesa, em 2012, mudou-lhe a vida para sempre e alargou-lhe os horizontes. A paquistanesa, hoje com 21 anos, foi baleada na cabeça, no autocarro, quando seguia para a escola. A partir daí, a sua história tem sido um corrupio. Recuperou em Birmingham, recebeu um Nobel da Paz e tem andado pelo mundo a engrossar a voz das meninas e a lutar pelo direito à educação.

Malala Yousafzai está no Brasil para discutir e refletir sobre o papel das mulheres na sociedade brasileira, apoiando ainda aquelas que foram vítimas de racismo e violência. Depois de Salvador e São Paulo, a paquistanesa chegou ao Rio de Janeiro na quarta-feira, no dia do seu 21.º aniversário. Na cidade carioca, conta o jornal "Globo", parou em Botafogo para almoçar uma feijoada vegetariana. O aparato que lhe segue a sombra foi um senhor aparato: 16 seguranças armados acompanharam-na (cinco estavam sentados à mesa, um circulava no restaurante e os restantes 10 ficaram na rua).

O Twitter de Malala revela, nas últimas 24 horas, trocas de mensagens com figuras importantes daquele país. O escritor Paulo Coelho agradeceu-lhe, em caps lock, pelo exemplo que ela é para as crianças, adolescentes e adultos -- “Que o seu caminho seja abençoado”. A ativista revelou que as palavras de Coelho a inspiraram “durante muitos anos”, adiantando ainda que o seu livro preferido é “O Alquimista”. É uma “honra” estar no país de Paulo Coelho, escreveu naquela rede social.

Pelé também trocou umas bolas com a menina do Vale Swat. “Uma pessoa excecional visita o Brasil esta semana. Vamos apoiar o seu objetivo para assegurar a todas as meninas a oportunidade de escolherem o seu futuro. Eu tenho uma pergunta: o que podemos fazer no desporto para garantir que estamos a dar às raparigas a oportunidade que merecem?”

Numa altura em que vivemos o Campeonato do Mundo, só faltam dois jogos para terminar, Malala respondeu assim ao homem que venceu três vezes (1958, 1962, 1970) aquele torneio: “Olá, Pelé! Hoje conheci raparigas incríveis na praia do Rio. Elas disseram-me que o desporto as ajuda a lidar com as dificuldades nas suas vidas e dás-lhes confiança. Devemos apoiar as mulheres atletas para as meninas terem exemplos”.

Malala revelou ainda que esteve com as ativistas da Rede Nami, com quem desenhou na parede um retrato de Marielle Franco, a vereadora assassinada a 14 de março. “Como ativista, sei que ela inspirou muitas mulheres e garotas brasileiras e sei que elas levarão o seu legado adiante”, escreveu no Twitter, desta vez em português.

O "Globo" conta ainda que, pela tarde, Malala estacionou num quiosque de Copacabana, para assistir ao show de Luka Modric, que ajudou a Croácia a eliminar a Inglaterra e a apurar-se pela primeira vez para a final de um Campeonato do Mundo. Enquanto ela deu uma olhada no que se passava na Rússia, o pai, Ziauddin Yousafzai, jogou uma futebolada nas areias da praia.