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NATO: Trump reclama sucesso, mas objetivo de aumento da despesa não mudou

Sean Gallup/GETTY

Durante a cimeira da NATO, em Bruxelas, o Presidente norte-americano fez um discurso duro e deixou no ar a ameaça dos EUA saírem da Aliança Atlântica. No final, Donald Trump reclamou vitória, afirmando que os parceiros vão aumentar a contribuição, mas a meta continua a ser 2% do PIB em 2024

Esta quinta-feira, Donald Trump disse estar satisfeito com o consenso alcançado na cimeira da NATO relativamente à necessidade de os países gastarem mais dinheiro com a Defesa. “Alcançámos grandes progressos hoje. Todos concordaram pagar mais e pagar mais rapidamente. Os outros países da NATO acordaram contribuir com um extra de 33 mil milhões de dólares (28 mil milhões de euros)”, declarou Trump aos jornalistas.

Segundo o Presidente dos EUA, o aumento da contribuição deverá rondar os 40 mil milhões de dólares (34 mil milhões de euros), número que já tinha sido falado ontem.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e a chancelar alemã, Angela Merkel, insistiram esta manhã que a meta da contribuição na NATO já estava definida, afastando a a ideia de que Donald Trump tenha conseguido esta quinta-feira convencer os aliados a aumentar a contribuição com a Defesa acima dos 2% do PIB. “Existe um comunicado que foi publicado ontem [quarta-feira] e que está muito detalhado. Confirma o objetivo de 2% do PIB em 2024”, declarou Macron.

De acordo com Merkel, o Presidente norte-americano “exigiu aquilo que tem sido discutido há meses”, a mudança da repartição de contribuições na NATO.“ Eu deixei claro que estamos nesse caminho. Tendo em conta a discussão europeia, não só dos EUA, chegámos a conclusão de poderíamos fazer mais a esse nível, se necessário”, sublinhou a chanceler.

Questionado sobre o momento de tensão desta manhã, o líder norte-americano explicou que teve de alertar não ser justo os EUA suportarem sozinhos a maioria dos gastos com a Defesa na Aliança Atlântica. “Disse aos membros que ficaria extremamente insatisfeito se os restantes países não aumentassem substancialmente os seus gastos com a Defesa. Os EUA estão a gastar muito pela NATO. E a NATO está a ajudar mais os países europeus do que os EUA”, realçou.

O Presidente norte-americano disse acreditar que seria possível retirar os EUA da NATO sem a necessidades de aval do Congresso, mas já não é necessário devido ao consenso alcançado entre os membros da Aliança Atlântica.

Manifestando-se comprometido com a Aliança Atlântica, Trump sublinhou que “A NATO é forte e continuará muito forte. A NATO está muito mais forte hoje do que há dois dias”.

No segundo dia da cimeira da NATO, Donald Trump voltou a atacar os aliados, reafirmando que é necessário aumentar substancialmente a despesa com a Defesa. O Presidente norte-americano pediu aos representantes convidados da Geórgia e do Afeganistão para saírem da sala. Quando as 29 delegações da organização ficaram sozinhas, Trump fez um discurso muito duro e disse que os outros países não têm legitimidade porque não pagam o devido. “Nós aguentamos sozinhos”, alertou.

Esta manhã, Trump voltou a utilizar o Twitter para insistir na necessidade de todos os aliados cumprirem a meta de consagrarem 2% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa, uma meta definida na cimeira do País de Gales para o prazo de uma década. “Todas as nações da NATO têm de cumprir o compromisso de 2%, e têm obrigatoriamente de alcançar os 4%”, afirmou, depois de já ter feito essa exigência na reunião de chefes de Estado e Governo da Aliança Atlântica na quarta-feira.