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Presidente eleito do México anuncia reformas legislativas sem precedentes

Carlos Tischler / Getty Images

“Esta foi a mensagem transmitida pelos mexicanos durante as eleições, apoiaram-nos, votaram em nós porque querem que acabemos com a corrupção e vamos conseguir”, promete Andrés Manuel Lopez Obrador, que toma posse a 1 de dezembro

O Presidente do México eleito anunciou esta quarta-feira que vai propor ao novo Congresso reformas legislativas sem precedentes no país, incluindo um referendo para revogar o mandato do chefe de Estado.

O veterano da esquerda Andrés Manuel Lopez Obrador, eleito no início deste mês mas que só tomará posse a 1 de dezembro, também pretende emendar o artigo 108 da Constituição, para permitir que o chefe de Estado seja julgado em casos de corrupção ou violação das liberdades eleitorais.

"Esta foi a mensagem transmitida pelos mexicanos durante as eleições, apoiaram-nos, votaram em nós porque querem que acabemos com a corrupção e vamos conseguir", disse López Obrador, numa conferência de imprensa.

O Presidente eleito também quer estabelecer uma consulta aos cidadãos. A proposta inicial era lançar uma consulta bienal do mandato do executivo, antes de optar por uma consulta a meio termo, após três anos de exercício do poder. "As pessoas votaram por uma mudança real", disse Obrador, também conhecido como "AMLO" (as iniciais do seu come completo).

Obrador vai também propor que a corrupção, o roubo de combustível e a fraude eleitoral se tornem crimes graves e que os acusados desses crimes não possam ser libertados sob fiança.

Por último, Obrador quer introduzir um artigo na Constituição para limitar os salários dos funcionários públicos, sendo que nenhum poderá ganhar mais do que o Presidente.

"Vamos cortar os salários dos altos funcionários, a começar com o do Presidente. Vou ganhar metade do que o Presidente Peña Nieto, sem mais compensações", afirmou López Obrador.

Depois de duas candidaturas perdidas, em 2006 e 2012, o líder do Movimento Regeneração Nacional (MORENA, de esquerda) venceu finalmente as eleições presidenciais mexicanas de 1 de julho, com 53,2% dos votos.

A campanha eleitoral foi definida por vários especialistas como "a mais violenta" da história do país e, de acordo com o gabinete de estudos Etellekt, pelo menos 145 políticos ou ativistas envolvidos foram assassinados no México, incluindo 48 candidatos ou pré-candidatos.