À segunda foi de vez. Macron aceitou demissão do ministro do Interior
03.10.2018 às 8h28
ALBERTO PIZZOLI/AFP/Getty Images
O Presidente francês pediu ao primeiro-ministro que assegure a pasta interinamente até à nomeação de um sucessor. Emmanuel Macron “considera lamentável que Gérard Collomb se tenha colocado na situação que o levou a demitir-se”. Depois dos ministros do Ambiente e do Desporto, esta é a terceira demissão ministerial em pouco mais de um mês
Depois de uma primeira recusa, o Presidente francês Emmanuel Macron aceitou a demissão do ministro do Interior, Gérard Collomb. A informação foi avançada à agência France Presse na madrugada desta quarta-feira pelo Palácio do Eliseu, que pediu ao primeiro-ministro Édouard Philippe que assegure a pasta interinamente até à nomeação do sucessor de Collomb.
Na terça-feira, o número dois do Governo pediu a demissão pela segunda vez no espaço de dois dias para “regressar a Lyon” e recuperar a presidência da Câmara da cidade. Segundo o Hôtel de Matignon, a residência oficial do primeiro-ministro, Philippe cancelou uma viagem oficial à África do Sul na quinta e sexta-feira na sequência do anúncio.
A comitiva presidencial declarou que Macron “considera lamentável que Gérard Collomb se tenha colocado na situação que o levou a demitir-se”. No mês passado, o ministro demissionário anunciou a sua intenção de concorrer às eleições municipais de 2020 por Lyon, dizendo que pretendia manter-se em funções até depois das europeias de maio de 2019. No entanto, foram muitas as vozes que entretanto pediram a sua demissão.
Uma dessas vozes foi a do antigo eurodeputado ecologista Daniel Cohn-Bendit, que disse que Collomb tinha “direito à reforma”. “Deixem-no abandonar o ministério, deixem-no cuidar dos seus netos, das margaridas”, afirmou.
Três demissões de ministros em pouco mais de um mês
Segundo o jornal “Le Figaro”, o ministro, que criticou publicamente a falta de humildade e de capacidade de escutar do Executivo, apresentou a demissão ao chefe de Estado na segunda-feira ao final do dia. Collomb disse ao jornal que não queria que o Ministério fosse desestabilizado por uma decisão política que lhe dizia respeito, ou seja, a escolha de voltar a concorrer à autarquia de Lyon, que presidiu durante 16 anos antes de ser nomeado ministro do Interior, em maio de 2017.
Contudo, numa primeira fase, Macron recusou o pedido. “Face aos ataques a que o ministro tem sido sujeito desde que confirmou que seria candidato, quando chegasse a hora, a presidente da Câmara de Lyon, o Presidente da República renovou a sua confiança nele e pediu-lhe que continuasse totalmente mobilizado na sua missão para a segurança dos franceses”, informou o Palácio do Eliseu.
No final de agosto, o então ministro do Ambiente, Nicolas Hulot, anunciou a sua demissão durante uma entrevista na rádio por se sentir “totalmente só” nas questões ambientais. Na semana seguinte, foi a vez da então ministra do Desporto, Laura Flessel, apresentar a sua demissão, invocando “motivos pessoais”.