Internacional

Indonésia. Depois do terramoto e do tsunami, vítimas enfrentam outra ameaça: as fake news

Anadolu Agency/Getty Images

O Governo indonésio tinha recentemente anunciado que ia passar a monitorizar em permanência as notícias que correm, denunciando semanalmente aquilo que não é verdade

Luís M. Faria

Jornalista

As notícias falsas são sempre perigosas, mas são-no especialmente em alturas de calamidade pública, quando podem gerar pânicos ou levar as pessoas para lugares onde não devem estar. Na Indonésia, que na semana passada sofreu um terramoto de 7,5 na escala de Richter, seguido de um tsunami, correm neste momento muitos tipos de rumores. Entre eles, que se aproxima um segundo terramoto.

O país tem bastante experiência daquilo a que lá se chama "notícias de farsa", o equivalente às nossas fake news, facilitadas pelos elevados níveis de penetração do Facebook e do Twitter. No final do mês passado, as autoridades anunciaram que vai passar a haver briefings semanais para ajudar as pessoas a destrinçar o falso e o verdadeiro. Uma precaução indispensável num país tão grande e diverso, cuja população é largamente muçulmana mas onde existem outras cinco religiões oficialmente reconhecidas, e a convivência entre centenas de grupos étnicos nem sempre é fácil.

A tradição nacional é de tolerância, mas nada garante que os media sociais não sejam usados para atiçar ódios tribais, como tem acontecido noutras partes do mundo. Sabendo-se que as teorias da conspiração constumam andar de mãos dadas com o extremismo, a literacia digital é um imperativo. Uma equipa de 70 pessoas examinará os media a tempo inteiro, e o Governo propõe-se fazer listas de fake news, explicando-as e apresentando os factos reais em relação a cada uma delas.

Nesta altura de emergência pública, o Governo já emitiu dezenas de comunicados a clarificar boatos e rumores que correm nas zonas afetadas. Quem estiver com atenção ficará ciente, por exemplo, de que não há voos gratuitos disponíveis para as vítimas nem uma barragem prestes a rebentar. Entre outras notícias falsas que podem vir a aumentar o sofrimento de pessoas que já se encontram em situação deseperada.

O terramoto de sexta-feira na ilha de Sulawesi fez até agora 1424 mortos e mais de 2550 feridos. Entretanto, na mesma ilha, um vulcão entrou em erupção na quarta-feira, fenómeno que poderá ter sido acelerado pelo terramoto.