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Economista de Bolsonaro investigado por alegada fraude com fundos de pensões estatais

DANIEL RAMALHO/Getty

O economista “estrela” da campanha de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil está a ser investigado pelo Ministério Público por ter alegadamente desviado dinheiro de fundos de pensões

Dizem que foi ele quem conseguiu que as elites económicas do Brasil escolhessem Jair Bolsonaro como o seu candidato, como o seu plano de provatizações para vários setores da economia. Mas agora o economista Paulo Guedes, “guru” de Bolsonaro, pode ter problemas maiores para resolver.

O Ministério Público Federal está a investigar Guedes por suspeita de fraude em negócios com fundos de pensões estatais, disse à agência de notícias Reuters um procurador com conhecimento do caso. A investigação foi inicialmente notícia do jornal Folha de S. Paulo, que escreveu que Guedes ficou com pelo menos mil milhões de reais (cerca de 230 milhões de euros) de várias entidades por meio da sua empresa de gestão de ativos - um esquema que terá começado em 2009. Segundo a Folha, o economista associou-se a executivos de fundos de pensões ligados ao Partido dos Trabalhadores e do PT do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Para o Ministério Público, há "relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores e/ou gestores dos fundos de pensões e da sociedade por ações BNDESPAR se associaram ao empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM", com a intenção de cometer "crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias", de acordo com a Folha.

Segundo o jornal, nem Guedes nem Bolsonaro responderam aos pedidos de comentário para a notícia.

O BNDESPAR, braço de banca de investimento do BNDES, é citado pelos investigadores ao lado dos fundos de pensões Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), segundo o jornal.

A investigação, a que a Folha diz ter tido acesso, foi instaurada pela força-tarefa da Operação Greenfield, que mira esquemas de pagamento de propina em fundos de pensão, afirmou a Folha, acrescentando que as transações suspeitas foram feitas a partir de 2009 com executivos indicados por PT e MDB que também são investigados atualmente por desvio de recursos das instituições.

Bolsonaro vai enfrentar o candidato do PT, Fernando Haddad, na segunda volta das eleições presidenciais, no dia 28 de outubro, depois de ter sido, de longe, o candidato mais votado na primeira volta com 46% dos votos contra os 29% de Haddad.