Henrique Monteiro Redator Principal

Madrid, capital da Catalunha

20 de Outubro de 2017

Pode não parecer, mas amanhã dar-se-á um passo decisivo na Espanha, na Península e na Europa. O Governo catalão ameaça declarar o território independente porque o Governo de Espanha vai pôr em marcha o artigo 155 da Constituição que passa todos os muitos poderes da autonomia para um organismo central. Este artigo, que nunca foi aplicado, tem maioria assegurada no Senado, cuja mesa tem de desencadear a ação, depois de aprovada pelo Executivo. A União Europeia apoia firmemente Madrid e recusou mesmo atuar como mediadora no caso. Também quase todas as diplomacias do mundo estão contra a separação (incluindo a portuguesa), ao passo que as empresas mais importantes da Catalunha, e são já mais de 900, retiraram as sedes da região. A concretizar-se a secessão, cujo apoio maioritário da população não é claro, o ‘novo país’ seria obrigado a abandonar a União Europeia (a que os britânicos já chamam Catalexit) e o Euro, aspeto que mais assusta os empresários.
A hipótese de eleições na Catalunha promovidas por Madrid (como reclama o PSOE) esbarra com a esmagadora maioria de presidentes de Câmara a favor da independência. Ainda assim, em votos contados, o PP, o PSC (PSOE da região) e o Ciudadanos têm, em conjunto, mais apoio do que os partidos independentistas, dois dos quais são da esquerda radical – CUP (anarquistas) e ERC (Esquerda Republicana Catalã). Embora algumas vozes digam que a questão é política, e cheguem a afirmar que a política está acima da lei Constitucional – uma posição bizarra sobre o Estado de Direito – o certo é que a Lei Fundamental de Espanha (aprovada na Catalunha com quase 90% de votos favoráveis) considera o país indivisível.
Uma solução negociada parece estar longe e muita gente teme que a violência se espalhe nas ruas da região. (Em inglês, da BBC, aqui tem o problema em 300 palavras, posições a favor e contra a independência e a pergunta fundamental – seria a Catalunha um país viável?).


FOGOS
Ainda haverá algo a dizer sobre os fogos florestais? Parece quase tudo dito, salvo que jamais esqueceremos este verão e os seus mais de 100 mortos (ontem mais um falecido foi encontrado), como nunca esquecemos as terríveis cheias de Lisboa em 1967, a derrocada da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, a queda de um avião na Madeira (1977) ou de outro em Faro (1992). Amanhã o Governo reúne para aprovar medidas para o setor, incluindo as que vêm no relatório da Comissão Independente sobre Pedrógão; o comissário dos Assuntos Económicos da UE, Pierre Moscovici, já veio dizer que as despesas relacionadas com os fogos florestais serão consideradas como excecionais, de modo a não contarem para o défice. Jean-Claude Juncker apelou, na sequência de idêntico apelo do Presidente Francês Emmanuel Macron, a um sistema europeu de Proteção Civil. Já António Costa revelou que os fogos florestais ocuparam parte da reunião do Conselho Europeu e aproveitou para agradecer a solidariedade e criticar a falta de meios ao nível da Europa. Mas ainda ficaram histórias para contar, tirando as politiquices, as análises e a moção de censura que o CDS apresenta na próxima semana e que só terá o apoio do PSD.
São muitos os portugueses com raízes nas zonas ardidas, uma vez que estas, entre junho e o fim de semana passado, se estenderam por todo o Norte do país. Nessas raízes estão sentimentos, família, amigos, recordações, paisagens, cheiros, cores. Se não fosse Marcelo, dir-se-ia que o Governo não percebera este aspeto fundamental: Quase todos temos um pedaço da nossa terra que ardeu.
Enquanto o presidente da Autoridade da Proteção Civil apresentou a demissão, o responsável da Agricultura veio, desde já, alertar para a urgência de atuar sobre os animais mortos ou feridos pelo fogo. Capoulas Santos conta com o apoio da Ordem dos Médicos Veterinários e com outros especialistas para atacar, de imediato, este problema sanitário.
O Presidente da República continua o seu périplo pelas zonas afetadas, ouvindo os autarcas. Já contabilizou, entre várias desgraças, a perda de mais de mil empregos diretos nas zonas mais afetadas.
Má notícia é que o Instituto de Meteorologia alerta que, embora possa chover sábado, de domingo a quarta estarão temperaturas altas em que fogos florestais são possíveis acontecer.

O Orçamento de Estado, apesar de entregue há uma semana, deverá ser acrescido com mais dotações para a prevenção dos fogos (o que significa que o incêndio de Pedrógão estava bastante esquecido). O défice deve aumentar, mas não parece haver outra alternativa. De qualquer modo, tudo será tratado em sede de discussão na especialidade. Ou seja, há tempo, até ao fim de novembro para se fazerem as engenharias que pareçam melhor. Apenas um dado para pensar: a Autoridade Nacional de Proteção Civil tem como dotação o mesmo que o Governo prometeu de acréscimo aos enfermeiros perante uma ameaça de greve. A informação foi dada à RR e ao ´Público’ pelo líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães.

OUTRAS NOTÍCIAS
A poluição
parece estar na origem de um sexto das mortes verificadas no mundo. Ou seja.nove milhões de mortes em 2015, das quais o maior número de vítimas está no Bangladesh, Somália e Chad. 'O Público' noticia hoje que o novo vírus da gripe das aves (H7N9), que como sempre vem do Leste, está mais perigoso e resistente.

Xi Jinping deve ser. hoje em dia, o mais poderoso homem do mundo, nestes tempos. O líder do Partido Comunista e Presidente da China fez um discurso no 19º Congresso do PCCh que dissipa quaisquer dúvidas sobre a sua predominância no país e o papel que quer desempenhar no mundo. Os norte-americanos acham que depois disto ele será mais duro com Kim Jong-Un.

O diretor da CIA, Mike Pompeo, veio alertar esta madrugada que a Coreia do Norte pode estar apenas a meses de concretizar a possibilidade de atingir os EUA com um missil nuclear.

Portugal está fora deste clube nuclear, mas ainda assim tem um caso com armas. No nosso retângulo elas desaparecem para depois aparecerem perto de casa, como um filho pródigo que regressa a penates. Toda a história é tão estranha que é melhor vê-la do que contá-la. Eis
aqui aqui e aqui o que a SIC Notícias apurou. Ressalta-se que as 1500 munições de 9mm (que servem as armas roubadas à PSP há mais tempo) não voltaram… Os partidos mais à esquerda e mais à direita acham estranho.

A TAP anunciou que a partir de Novembro de 2018 vai começar a pagar a dívida em fatias de 10 milhões por mês. A dívida assumida é de 600 milhões.

O BPI, agora detido pelo catalão CaixaBank (que mudou a sua sede de Barcelona para Valência), apresentou lucros de 23 milhões em nove meses.

Santana Lopes abandona hoje a Santa Casa da Misericórdia, a que presidia. Domingo apresenta formalmente a sua candidatura a líder do PSD.

A remuneração dos trabalhadores portugueses aumentou
na última década, mas permanece abaixo da média europeia. Já o número de trabalhadores temporários é o terceiro mais elevado da UE.

A nova primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, do Partido Trabalhista, tem 37 anos e é a mulher mais jovem de sempre a liderar um país. Formou um Governo em coligação com os Verdes e com o pequeno NZF, populista de direita. Isto apesar de não ter ganho as eleições. Mais uma 'geringonça'.

Quentin Tarantino, o mítico realizador, veio dizer que sabia o suficiente do assédio do produtor de Hollywood Harvey Weinstein para ter feito mais do que fez.Outro ator, Tom Hanks, diz o que é preciso mudar e uma parada de estrelas fala da sua falta de coragem ou das relações estranhas que teve com Weinsten

No Benfica uma enorme brigada da PJ, MP e magistrados judiciais fez buscas relacionadas com os mails mostrados pelo porta-voz do FC do Porto na televisão Porto Canal. A PGR diz que prossegue as investigações pelo crime de corrupção, tendo estado na SAD, no clube, em casa do presidente, do comentador Pedro Guerra e de outros notáveis benfiquistas. O clube diz que aguarda pacientemente o resultado das buscas, que espera virem a desmentir o que tem dito o porta-voz do FC Porto e esclareçam a violação do sistema informático do SLB.


Futebol - Depois de Porto (em Leipzig), Benfica (em casa com o Manchester United) e Sporting (em Turim com a Juventus) na Liga dos Campeões, também o Braga (em casa com o Ludorgets) e o Guimarães (em Marselha) perderam na Liga Europa. Na Taça de Portugal a sorte dos três grandes não foi, apesar de tudo, madrasta; todos jogam em casa: O Porto recebe o Portimonense; o Sporting o Famalicão; o Benfica o Vitória de Setúbal. Entretanto o Tondela cortou relações com o Belenenses por este clube não querer adiar o jogo, sendo que o primeiro não conseguiu treinar em condições devido aos fogos. (todas estas notícias aqui, na Tribuna Expresso)


FRASES (especial fogos)
“O povo, o fogo e água não podem nunca ser domados”, Focílides, poeta grego de Mileto (séc. VI a.C.).

“Acreditar que um inimigo débil não nos pode magoar é acreditar que uma faísca não pode incendiar uma floresta”, Muslih-Ud-Din Saad (séc. XIII) poeta iraniano.


“Há quem cruze um bosque e só veja lenha para o fogo”, Leon Tolstoi, (1828-1910) romancista russo

“A única vantagem de se brincar com o fogo é aprendermos a não nos queimarmos”. Oscar Wilde (1854-1900) dramaturgo e romancista britânico (irlandês)

“A ira é como o fogo, não se pode apagar senão na primeira chispa. Depois é tarde”. Giovanni Papini (1881-1956) escritor italiano



O QUE EU ANDO A LER
Preferem a verdade, certo? Então ando a ler um livro que uns três ou quatro autores do Curto já recomendaram antes de mim. Não tenho culpa! Como fui a São Petersburgo, cidade construída por Pedro o Grande, achei boa ideia ler os Romanov de Simon Sebag Montefiore. O que se pode dizer sobre um livro excecional, milimétrico na verdade histórica, horroroso pelos factos narrados (esquartejamentos seguidos de empalações e coisas do género)? Tudo e nada. É melhor lerem e perceberem por que motivo o Governo russo é assim e por que motivo os russos que se cruzam connosco continuam com ar sério a olhar o chão ou o nada. A dinastia que fez a Rússia tal como a conhecemos, através de um esguio e esconso descendente de Ivan o Terrível, no séc. XVII, e que morreu – os czares, os descendentes e os colaterais - há quase 100 anos (1918) perante um pelotão de fuzilamento dos bolcheviques, é-nos desvendada em absoluto. É fantástico!

E por hoje é tudo. Logo há o Expresso Diário, às 18 horas e amanhã sai o Expresso semanal – em papel e em digital – com as mais apuradas histórias, além de um especial digital com as melhores histórias da semana. Na segunda-feira, por esta hora, cá estará o Curto.

Um excelente fim de semana para todos!

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