Política

Marcelo reconhece que no sábado faltou organização em Pedrógão

O abraço de Marcelo ao secretário de Estado Jorge Gomes na chegada a Pedrógão Grande

Paulo Cunha / EPA

“Agora, temos uma organização muito diferente. O primeiro posto de comando era de emergência.” Presidente da República repete que “naquele momento, com aquelas condições, fez-se o que era possível”. Mas reconhece que há “desafios” que ficam

Ao terceiro dia, Marcelo Rebelo de Sousa carrega o dedo na ferida: nem tudo correu bem na primeira resposta à tragédia de Pedrógão Grande. De regresso ao local, o Presidente da República, embora repetindo o que disse no sábado - que “o que era possível fazer estava a ser feito” - reconheceu esta segunda-feira que “o primeiro posto de comando era de emergência” e que “agora temos uma organização muito diferente da que existia”.

“Agora, temos uma estrutura e meios muito diferentes”, afirmou Marcelo, numa clara chamada de atenção para a mudança no posto de comando das operações (cuja coordenação foi alterada). O Presidente referiu-se “ao método e organização” que “agora já existe”. “São desafios que estão em curso, sublinhou.

No domingo, da segunda vez que falou, o Presidente da República já alertara para as "interrogações" que toda esta tragédia deixa no ar e a sua passagem pelo local na noite de sábado foi decisiva para, bem de perto, ter noção das enormes dificuldades que estiveram em jogo. Desde o isolamento de residentes em aldeias que não conseguiram sequer comunicar para pedir ajuda, até à difícil articulação nas primeiras horas entre autarquia e Proteção Civil, passando pela desvalorização que começou por ser feita da ocorrência - o fogo começou ao início da tarde e passava das dez da noite quando o PR se apercebe, via telefone com entidades locais, do clima de descontrolo e perturbação instalado in loco.

Atento às críticas de que começa a ser alvo por alegadamente ter sido excessivamente positivo na primeira reação no sábado, quando disse que não era possível fazer melhor, Marcelo vai acertando o discurso. Mas sem ceder no que considera prioritário: apagar os incêndios, apoiar as famílias e evitar guerras políticas em torno de uma tragédia cujas dimensões se tornou notícia em todo o mundo.

“Já temos muitas frentes pela frente. Não vamos juntar mais frentes”, pediu o Presidente, que fez questão de “louvar a intervenção do líder da oposição” por, independentemente das lições que há que tirar do que aconteceu, “disse que neste momento é em conjunto que devemos enfrentar este desafio”.

Pedro Passos Coelho demarcou-se da visão dominante desde sábado segundo a qual era impossível ter feito mais do que se fez, dizendo que não se deve desdramatizar. Marcelo escolheu pegar na segunda parte da declaração do líder do PSD. Enquanto o fogo arde, o Presidente não quer ateá-lo com querelas políticas: “Depois temos todo o tempo do mundo para analisar causas e fazer reflexões e análises sobre os fatores nunca vistos ou já vistos” na floresta portuguesa.