Política

Comboio de alta velocidade é “tabu” e está adiado por “muito tempo”, diz António Costa. E o novo aeroporto também

STEPHANIE LECOCQ / EPA

“Também perdemos a oportunidade de fazer um novo aeroporto”, diz o primeiro-ministro, considerando que agora se tem de “pôr de lado do debate partidário todos esses temas”. As respostas foram dadas em entrevista ao diário espanhol ABC, mas Costa evitou uma pergunta: sobre se seria possível o crescimento económico atual sem que se tivesse passado pelos “anos duros de austeridade” do anterior Governo

O primeiro-ministro, António Costa, assegura este domingo em entrevista ao diário espanhol ABC que a construção de uma linha para comboios de alta velocidade entre Lisboa e Madrid está adiada por "muito tempo" porque é uma questão "tabu" em Portugal.

"A alta velocidade é um tema tabu na política portuguesa e vai sê-lo por muito tempo", disse António Costa, acrescentando que "um dia" terá de se olhar para este tipo de rede ferroviária, que está a crescer na maior parte da Península Ibérica e na qual Portugal "estará de fora".

Para o chefe do Governo, "infelizmente" houve um tempo em que o grande tema de diferenciação política entre esquerda e direita era o investimento público em infraestruturas, como a linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid ou a construção de um novo aeroporto na capital portuguesa. "Também perdemos a oportunidade de fazer um novo aeroporto", disse Costa, considerando que agora se tem de "pôr de lado do debate partidário todos esses temas".

O Governo do socialista José Sócrates tinha decidido avançar com a linha de alta velocidade e a construção do novo aeroporto de Lisboa, mas o Governo de Pedro Passos Coelho decidiu travar esses dois grandes investimentos públicos quando chegou ao poder, em 2011, para aplicar o programa de auxílio negociado com a "troika".

Costa recandidata-se “se gozar de boa saúde”

Noutra parte da entrevista ao ABC, António Costa assegura que será candidato nas próximas eleições, "se gozar de boa saúde".

Costa também afirma que foram os partidos apoiantes do governo, Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista (PCP), que o convenceram a tomar certas medidas fiscais, mais do que ele a convencer os partidos de esquerda.

"Em todos os nossos programas [eleitorais] estavam essas medidas e os acordos [de apoio parlamentar] levaram-nos a aplicá-las antes do esperado. Não foi um grande esforço tê-los convencido. Pelo contrário, convenceram-me mais eles a mim", afirmou António Costa.

Uma pergunta tabu

O chefe do Governo evitou responder a uma pergunta sobre se seria possível o crescimento económico atual sem que se tivesse passado pelos "anos duros de austeridade" do anterior Governo do PSD "encarregado de ativar as medidas impostas pela 'troika'".

"Não vou abrir uma luta sobre o passado. O passado, passado está", afirmou António Costa, acrescentando que "o importante é que Portugal virou a página" e conseguiu alcançar o défice orçamental "mais baixo" da democracia e o crescimento "mais forte" desde o início do século, assim como começado a reduzir a dívida e o desemprego.

A entrevista foi realizada na passada terça-feira, quando o chefe do Governo esteve em Madrid para se encontrar com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e inaugurou uma exposição sobre o poeta Fernando Pessoa no museu Rainha Sofia.