Política

Secretário-geral do PSD suspeito de falsificar currículo: “Nunca forjei nada”

DR

Feliciano Barreiras Duarte incluiu na sua biografia oficial o estatuto de “visiting Scholar” da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde nunca esteve. Já retirou o título do seu currículo e argumenta que dele “nunca” tirou “qualquer benefício”

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

O atual secretário-geral do PSD de Rui Rio, antigo chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho e ex-secretário de secretário de Estado adjunto de Miguel Relvas incluiu no seu currículo oficial e nas notas biográficas dos livros que publicou um estatuto que nunca teve, avançou este sábado o jornal “Sol”.

Feliciano Barreiras Duarte mencionava no seu percurso académico o estatuto de “visiting scholar” da Universidade da Califórnia, em Berkeley, associado ao seu doutoramento em Ciência Política. Porém, nunca esteve em Berkeley, nem em qualquer outro local dos EUA, admite agora.

A referência ao estatuto de “investigador visitante” já foi retirada do seu currículo oficial, garante ao Expresso. “Há quem goste de andar nas bocas do mundo, e não se importe, mas eu importo-me”, afirma o político de 51 anos.

"Nada fiz com má fé"

E arrepende-se de ter incluido no currículo um estatuto que nunca teve e que agora tem de corrigir? “Não se trata de arrepender-me porque nada fiz com má fé, nem tirei qualquer benefício desse estatuto como bolsas de estudo”, responde.

Barreiras Duarte justifica a inclusão do dito estatuto no currículo por ter recebido há cerca de 10 anos uma carta de Deolinda Adão (professora em Berkeley) que o indicava como “visiting Scholar”. Porém, a académica disse ao “Sol” estar “pronta a declarar em tribunal que o documento é uma falsificação”, já que se encontra em português e com uma referência errada ao nome da instituição e que não encontra qualquer registo deste eventual aluno na sua base de dados.. Também o departamento de relações públicas da universidade norte-americana garantiu ao semanário que o nome de Barreiras Duarte não consta dos seus registos como “visiting Scholar”.

“Eu não forjei nada”, defende-se Barreiras Duarte, evocando a troca de correspondência com uma assistente de Deolinda Adão e um almoço com a académica e com Manuel Pinto de Abreu, então docente da Universidade Lusófona e que orientou os seu doutoramento. Terá sido nesse contexto que começou a preparar a ligação à Universidade da Califórnia. Mas Pinto de Abreu assevera que “o processo para a concretização do estatuto de visiting scholar nunca foi oficializado”.

“Os meus graus académicos são em Portugal e nunca precisei da Universidade de Berkeley para publicar os meus trabalhos”, argumenta Barreiras Duarte em declarações ao Expresso. Contudo, no seu currículo constava como "doutorado em Direito na Universidade Pública de Berkeley”. O que é de si um erro, pois o nome correto seria Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Questionado sobre se esta polémica põe em causa a sua relação com Rui Rio, Barreiras Duarte diz que o presidente do PSD sabe de tudo desde que começou a ser interrogado pelos jornalistas. E limita-se a um “não faço comentários” quanto à eventualidade do seu cargo de secretário-geral do PSD poder estar em causa.

Feliciano Barreiras Duarte começou a aproximar-se de Rui Rio há cerca de um ano, na que foi considerada mais uma das suas mudanças de posicionamento político dentro das ‘famílias’ do PSD. Depois de ter ajudado Passos Coelho a ascender ao poder, rompeu com o ex-líder social-democrata de quem foi secretário de Estado do ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional. Uma década antes esteve na construção da liderança de Durão Barroso.

Natural do Bombarral, começou o seu percurso na JSD local até chegar à distrital. Nas últimas autárquicas teve um braço de ferro com o "dinossauro" Fernando Costa por causa da liderança da lista à Câmara de Leiria, e perdeu para o ex-presidente da Câmara de Caldas da Rainha.

Sobre a atual polémica do currículo, Fernando Costa, afirma que "pode ter havido o excesso de expressão que deve ser esclarecido para bem dele e de Rui Rio, que lhe deu a confiança". E ironiza: "Se traduzisse as obras que escreveu sobre portagens e as oferecesse à universidade, talvez já merecesse o título".

  • O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou este domingo que o secretário-geral do partido, Feliciano Barreiras Duarte, lhe deu a mesma explicação sobre o seu currículo que à comunicação social: havia um aspeto “que estava a mais, não era preciso, e corrigiu