Política

Louçã: “Para que se serve a vitória de Cristas? Para a vitória do PS”

Quanto mais Assunção Cristas fixar como objetivo disputar a base eleitoral do PSD, melhor para Costa, escreve Francisco Louçã. “Uma guerra à direita é esplêndida para o PS, que disputa o centro.”

O CDS está “a vender uma fábula, que serve para animar militantes e para atordoar comentadores e jornalistas, tudo com sucesso”, escreve Francisco Louçã, em artigo de opinião hoje no Expresso Diário. “Parabéns a Cristas.”

Analisando o congresso do partido realizado este fim de semana em Lamego, Louçã salienta que “Cristas arrumou a oposição interna e Melo tem que ficar à espera”, e trata o vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes como “rock star da abertura liberal de Cristas”.

Mas o colunista do Expresso identifica “vulnerabilidades” no “sonho” da líder do CDS, de liderar um bloco de centro de direita de 116 deputados: “A primeira é que é mal-amanhado o cocktail de liberalismo e democracia-cristã, tanto que um jovem candidato da Forbes, mais Nuno Melo, mais Telmo Correia, vieram solenemente lembrar as “Sagradas Escrituras” e que “com a Religião ninguém se mete”. Cheira demasiado a incenso. A segunda fraqueza é a imagem do partido beto e colado às fortunas: os generosíssimos favores publicitários da Altri, a empresa eucalipteira que é dona do Correio da Manhã, a Cristas, também não fazem esquecer como uma ex-ministra é protegida pelos interesses que acarinhou”.

O CDS falou de “temas muito modernos”, como natalidade, interior e internet, mas não apresentou “nenhuma sugestão sobre o que fazer”. O colunista ironiza: “Que importa, a solução é Cristas a chefiar o governo e logo se vê. É a velha tática do Estebes, meia bola e tudo para a frente.”

Mas “para que é que se serve a vitória de Cristas?”, pergunta Francisco Louçã. “Já adivinhou a resposta, para a vitória do PS.”

“Há uma lição neste sucesso de Cristas: é António Costa quem fica a ganhar. Quanto mais ela fixar como objetivo disputar a base eleitoral do PSD, melhor para Costa. (…) Uma guerra à direita é esplêndida para o PS, que disputa o centro.”

Para ler na íntegra o artigo de opinião de Francisco Louçã, veja aqui.