Política

Crise russa. PR exigiu “decisão forte” e assumiu garantias à NATO

Marcelo achou essencial chamar o embaixador em Moscovo e, só depois disso, segurou posição gradualista do Governo. Mas tratou de acalmar a NATO

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que chamar o embaixador de Portugal em Moscovo era o mínimo exigível a um país alinhado com a União Europeia e a NATO e, embora tenha acertado o passo com a estratégia gradualista assumida pelo Executivo no confronto com a Rússia, o Presidente da República tratou de encorpar a posição do Estado português. Chamou-lhe “aviso” e “decisão forte”. E chamou a si as garantias, que deu alto e bom som, de que “somos e queremos ser fiéis à União Europeia, somos e queremos ser fiéis à Aliança Atlântica”.

O Presidente falou com o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros e num primeiro momento, quando Augusto Santos Silva ainda se referia à posição de Portugal como estando “em curso”, Belém temeu pela hesitação governamental. Marcelo acabou, aliás, por ter papel ativo na defesa de que se avançasse para um primeiro patamar de retaliação a Moscovo com a chamada do embaixador português para consultas. E o PR tratou de dar músculo à posição de Lisboa com a declaração que fez numa inesperada saída na terça-feira à noite (regressado da República Centro-Africana, não tinha agenda naquele dia): “A decisão de chamar o embaixador é uma forma muito clara de sinal ou de aviso. É uma decisão forte por parte do Estado português. Significa que durante um período mais ou menos curto, mais ou menos longo, a presença do mais alto representante diplomático português num país deixa de existir”.

A assessoria diplomática do Presidente foi dando garantias “a todos” de que Portugal não estava desalinhado dos seus parceiros de sempre nem tinha mudado de lado no xadrez geoestratégico. E o próprio Presidente fez, no dia seguinte, um discurso para complementar o aviso da véspera, neste caso para deixar claro que não há nada (nem parceiros anti-NATO do primeiro-ministro no Governo, nem estratégias de contenção face à Rússia nem receios quanto ao terrorismo internacional) que alterem o nosso total alinhamento com a NATO. Numa visita a um palco militar — o Regimento de Cavalaria em Estremoz — o PR foi claro: “Somos e queremos ser fiéis à UE, somos e queremos ser fiéis à Aliança Atlântica”, afirmou, com a ressalva de que “a defesa dos princípios que regem a afirmação da soberania nacional é feita com inteligência e de forma lúcida e racional”. Alinhado com a estratégia de prudência do Governo, Marcelo espera que Lisboa acabe por chegar à expulsão do embaixador russo. Então sim, alinhados.