Política

PSD diz que casos são anteriores à nova liderança e exige “toda a verdade”

Nuno Botelho

José Silvano, secretário-geral do PSD, lamentou o alegado envolvimento de figuras do partido na investigação e reconheceu o impacto negativo que o caso vai ter na opinião pública. “Paga o justo pelo pecador”

“Isto tem todo o impacto na opinião pública. Paga o justo pelo pecador, é como as batatas: uma batata podre contamina todas as outras”. É a primeira reação partidária às buscas realizadas esta quarta-feira a várias estruturas de PS e PSD por todo o país. Numa conferência de imprensa a partir da sede do partido, José Silvano, secretário-geral dos sociais-democratas, lembrou que a investigação que está a decorrer é “sobre factos anteriores” à atual liderança e exigiu que se apure “toda a verdade”.

De acordo com a informação avançada pela revista Sábado, um dos principais visados é Carlos Reis, ex-líder da JSD/Braga e atual conselheiro nacional do PSD. Mesmo recusando comentar o caso em concreto, José Silvano lamentou o possível impacto de uma investigação desta natureza na opinião pública, mas garantiu que o partido está disponível para colaborar com a investigação em toda a linha. “Os portugueses têm direito a saber toda a verdade”, afirmou o secretário-geral social-democrata, que tem como responsabilidade a relação com as estruturas do partido.

José Silvano lembrou, aliás, que quando Rui Rio chegou à liderança definiu três princípios: que o PSD não tinha “medo de nada, nem de ninguém”; que ia combater a “corrupção”, o “compadrio” e a “falta de transparência” no partido; e que ia procurar sempre a “verdade”, “doesse a quem doesse”.

A Polícia Judiciária e o Ministério Público estão, desde o início da manhã, a fazer buscas a várias estruturas do PS e do PSD de norte a sul do país, por suspeitas de corrupção em ajustes directos feitos por autarquias a militantes socialistas e sociais-democratas,

O operação está a ser coordenada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária e pelo Ministério Público, numa megaoperação que envolve cerca de 200 inspetores de vários departamentos da PJ.