Política

Centeno: Governo não se deixa “iludir por ganhos fáceis ou efémeros”

tiago mranda

Ministro deixou pistas para o próximo Orçamento e garantiu: “Não colocaremos em causa a recuperação do país”. Quanto à Saúde, admitiu “não saber” se os profissionais contratados conseguirão responder às necessidades do sector durante o verão

Se o tiro de partida para as negociações do Orçamento do Estado para 2019 ainda não tinha sido dado, quem o disparou esta tarde foi o ministro das Finanças, Mário Centeno, com os avisos que levou ao Parlamento. Por um lado, para destacar que o Governo está orgulhoso do trabalho feito mas não se deixa "iludir por ganhos fáceis ou efémeros". E, por outro, para avisar que não é altura de "adotar medidas avulsas" com impacto orçamental.

As palavras de ordem de Centeno, durante as suas intervenções na audição parlamentar da tarde desta terça-feira na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, foram sustentabilidade e responsabilidade, acusando tanta esquerda como direita de quererem arriscar os resultados económicos conseguidos nesta legislatura e pôr em causa a "recuperação" do país.

Centeno "não sabe" se há médicos e enfermeiros suficientes

Também ficou a cargo de Centeno a resposta do Governo a vários dos temas quentes que têm dificultado a vida ao Executivo e criado fricção na relação com os parceiros da esquerda. Na Saúde, e depois de ter sublinhado que há mais 8500 profissionais desta área do que em 2015, o ministro das Finanças acabou por admitir "não saber se os profissionais são suficientes" para compensar o impacto que terá a adoção do novo horário (das 40 horas semanais para 35) que entrou em vigor a 1 de julho. Uma confissão que irritou as restantes bancadas parlamentares: "Não sabe mas decide!", criticou o BE, pela voz da deputada Mariana Mortágua, acusando Centeno de "dirigir o Ministério da Saúde a partir do Ministério das Finanças".

O ministro continuou, aliás, a responder pelos vários sectores, referindo-se também à situação de más condições denunciada na ala pediátrica do hospital portuense de São João - uma denúncia que atribuiu a "manipulação" e a "fotografias" das crianças publicadas na comunicação social com "legendas erradas". "A ala pediátrica mudou em junho para novas instalações, mas aquelas não eram contentores", concluiu.

Avisos para os professores

Também quanto aos professores, em guerra com o Governo porque exigem a contagem do tempo de serviço que ficou congelado durante a crise, Centeno foi atacado. Teve o apoio do deputado socialista Paulo Trigo Pereira, que interveio para dizer que estas são "reivindicações novas" que não constavam inicialmente do programa socialista - embora constem, numa formulação vaga, de uma norma negociada com a esquerda que ficou inscrita no OE deste ano.

Por entre respostas às várias reivindicações e as garantias de que "seguramente os portugueses estão melhor", Centeno foi semeando avisos: "Tudo será em vão se não for sustentável e não tivermos políticas responsáveis", "Não colocaremos em causa a recuperação do país". E abrindo caminho às negociações do Orçamento: "O quarto OE [desta legislatura] seguirá essa mesma linha. Investimento nos serviços públicos, reposição das carreiras em 2019 (...), esses compromissos estão assumidos e serão cumpridos", assegurou.