Política

Manuel Alegre: “Santos Silva está a passar uma certidão de óbito à geringonça”

O histórico do PS diz que o n.º 2 do Governo está a colocar questões impossíveis aos parceiros do Executivo e, nesse sentido, a inviabilizar a atual solução governativa

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Manuel Alegre está frontalmente contra as opiniões despendidas pelo ministro Augusto Santos Silva, que afirma esta quinta-feira, em entrevista ao "Público/Rádio Renascença", que um novo acordo da atual solução governativa "tem de incluir a politica externa e a a europeia".

"O segredo desta solução governativa e a habilidade de António Costa foi terem ficado de fora, precisamente, estes temas inconciliáveis", diz Manuel Alegre ao Expresso. "Ao colocá-las agora em cima da mesa, Santos Silva está a inviabilizar a continuação da geringonça e a passar-lhe uma certidão de óbito".

Para Manuel Alegre, o fundamental "é esclarecer se isto corresponde à apenas à sua opinião, a uma corrente do Governo ou em nome do primeiro-ministro". E sublinha: "Santos Silva só é ministro porque existe esta solução governativa".

Por outro lado, o histórico do PS destaca que "este tema nunca foi discutido no partido e gera uma polémica grave", acrescenta. "Santos Silva colocou o primeiro-ministro numa situação ingrata. Isto tem de ser esclarecido".

A situação é tanto mais polémica quanto o ministro não é um dirigente partidário qualquer, mas o número dois do Governo. "Ele tem todo o direito de fazer as declarações que entenda, mas tem de clarificar", afirma.

Comentando ainda a entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros, Alegre considera que ele está a ser "contraditório", porque ao mesmo tempo que Santos Silva coloca condições que sabe serem impossíveis de aceitar pelo PCP e o Bloco de Esquerda diz que deseja a continuidade da solução governativa.

Ele próprio, Manuel Alegre, é a favor da continuidade desta solução, para a qual também contribuiu com o seu apoio desde a primeira hora. "A habilidade de Costa", reitera, é ter feito um acordo à esquerda sem 'esquerdizar' o partido, cumprindo o seu programa e até de forma moderada", conclui.