Política

Primeira cimeira Costa-Sánchez anunciada sob a égide de Saramago

Os dois primeiro-ministros esta manhã em Lanzaraote

MIGUEL A. LOPES

Em Lanzarote, antes de visitarem a casa de José Saramago - no âmbito das comemorações dos 20 anos do Nobel - António Costa e Pedro Sánchez anunciaram a realização da primeira cimeira Portugal-Espanha entre ambos.

21 de novembro, em Valladolid. Está agendada a primeira cimeira luso-espanhola entre António Costa e o homólogo espanhol, Pedro Sánchez. O anúncio foi feito este sábado, pelo primeiro-ministro de Espanha, durante a cerimónia de homenagem a José Saramago, na casa do escritor em Lanzarote, em que António Costa esteve presente.

A última cimeira luso-espanhola teve lugar há mais de um ano, a 29 e 30 de maio de 2017, em Trás-os Montes, mas o Governo espanhol era então liderado por Mariano Rajoy. Esta será a primeira vez que dois Executivos socialistas ibéricos se reúnem desde que José Sócrates e José Luis Zapatero chefiavam os governos de Portugal e Espanha.

“Como cimeira é a primeira [entre ambos], mas vai ser uma cimeira de continuidade com a que realizámos em Vila Real há pouco mais de um ano e que vai ter como tema fundamental as relações transfronteiriças e esse esforço comum que Portugal e Espanha têm que fazer para aproveitar essa zona de fronteira que fomos abandonando de um lado e de outro, porque estávamos de costas viradas”, sublinhou António Costa, em declarações aos jornalistas.

A cimeira foi anunciada sob a égide de José Saramago, no ano em que se cumpre o 20º aniversário da atribuição do Nobel ao escritor. Numa cerimónia que contou também com a presença de Pilar del Rio, a anfitriã da cerimónia, não faltaram elogios ao português, “um ser humano íntegro”, que nunca se “refugiou em torres de marfim”, nas palavras de Sánchez, e um “cidadão do mundo”, que pela sua obra e vida se “transformou num valioso traço de união entre os dois países”, completou António Costa.

Sánchez, aliás, não resistiu em recuperar uma frase atribuída a José Saramago para prestar a sua homenagem ao português: “A derrota tem algo de positivo: nunca é definitiva”. Uma metáfora que serve na perfeição ao percurso de ambos: tal como António Costa, também Pedro Sánchez perdeu as eleições legislativas e, mesmo assim, conseguiu liderar uma solução de governo com uma geometria política inédita.

António Costa, que tinha preparado uma intervenção em espanhol, acabando por adaptar algumas partes do discurso ao português, seguiu o filão deixado pelo seu homólogo: mesmo rodeado pela paisagem vulcânica e estéril de Lanzarote, Saramago encontrou força para dar corpo ao “poder extraordinário das ideias e dos projetos”. “Mi querido Pedro, este é o nosso primeiro encontro em Espanha. Era impossível ser num sítio melhor. Não podia haver melhor ponto de encontro para esta primeira vez”, notou o primeiro-ministro português.

Antes de visitarem a casa de Saramago, António Costa e Pedro Sánchez estiveram na Fundação César Manrique, com quem Saramago mantinha uma relação de admiração.

Depois da visita relâmpago à Fundação César Manrique (não terá durado mais do que 10 minutos), a comitiva seguiu para a casa do escritor português. Longe dos olhares indiscretos dos jornalistas e com uma forte presença dos serviços de segurança espanhóis, os dois governantes tiveram direito a uma visita guiada à casa do escritor, que terminou simbolicamente no jardim, junto à cadeira onde Saramago se sentava ao final da tarde para contemplar o horizonte.