Revista de imprensa

Estado deixou expirar contratos de meios aéreos. Há duas semanas eram 48, agora só há 18 no combate aos incêndios

rui duarte silva

Os 25 helicópteros aéreos fornecidos pela empresa Everjets deixaram de voar ao serviço do Estado a partir de 30 de setembro

Uma tragédia explica-se, em parte, pela sucessão de vários acasos, falhas, que se vão acumulando. Mas a morte de 36 pessoas, devido aos incêndios desde domingo, também pode ser explicada pela sucessão de más decisões que tenham sido tomadas.

Desde o início de outubro, o país teve uma redução drástica de meios aéreos disponíveis para combate às chamas. De 48 meios aéreos, o país ficou reduzido a 18 aeronaves. Isto aconteceu porque os contratos assinados, que valiam para o período 2012-2017 foram chegando ao fim, não tendo previstas, nas suas cláusulas extensões para o último ano de compromisso, avança o “Público” esta terça-feira. Por outras palavras, o Estado deixou expirar os contratos.

Os contratos estatais com as empresas privadas de combate aos fogos estipulavam a possibilidade de extensão do período de operação, com o pagamento de horas extraordinárias de voo, mas essa medida não estava prevista para o último ano de contratação – 2017.

Os 25 helicópteros aéreos fornecidos pela empresa Everjets, deixaram de voar ao serviço do Estado a partir de 30 de setembro e o mesmo aconteceu aos quatro aviões anfíbios médios (canadairs) que estavam contratados até ao dia 5 de outubro.

Segundo o matutino, a 1 de outubro o país entrou na Fase Delta, a partir da qual o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) prevê uma redução substancial de meios aéreos: de 48 para 22 meios aéreos. A partir do dia 5 de outubro, os meios aéreos passaram ainda a ser menos: 18.

Na teoria, na segunda-feira, dia 16 de outubro, ficariam apenas disponíveis duas aeronaves para o combate aos incêndios. Tal não veio a acontecer, devido à situação que o país viveu no último fim de semana.