Revista de imprensa

Miguel Relvas: “Vamos ter um líder do PSD para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”

Luís Barra

Na disputa entre Rui Rio e Santana Lopes, o PSD pode não estar a eleger um candidato a primeiro-ministro mas sim um líder de transição, assume o antigo ministro no Governo de Passos Coelho

As eleições internas do PSD vão decidir este sábado o novo líder, mas Miguel Relvas, ex-membro do Governo de Passos Coelho, traça desde já um prazo de validade de dois anos para qualquer um dos candidatos, Rui Rio e Pedro Santana Lopes, caso não vençam nas urnas nas próximas eleições legislativas.

“Vamos ter um líder para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”, diz Relvas em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira.

O PSD, admite Relvas, pode não estar a eleger um candidato a primeiro-ministro mas sim um líder de transição. “Isso vai depender muito a forma como for abordada a estratégia e a afirmação desse mesmo líder”, assume o ex-governante social-democrata.

Apoiante assumido de Santana Lopes, Relvas entende que a abertura de Rui Rio à viabilização de um Governo minoritário do PS após as legislativas em 2019 é derrotista, à partida, para alguém que quer chegar a ser primeiro-ministro.

“O que Rui Rio disse é um erro político inaceitável. Em primeiro lugar, o líder do PSD é obrigado a candidatar-se para ganhar eleições. Era o mesmo que o Sporting ou o Porto dizerem: vamos para o segundo lugar, não para sermos campeões, não há essa expectativa. O líder do PSD é obrigatoriamente candidato a primeiro-ministro, não candidato a viabilizar um Governo do PS. E esse é o seu maior erro nesta campanha eleitoral. Porque não é aceitável que o PSD ainda antes das eleições venha dizer que viabiliza um Governo do PS, sem que, aliás, o PS diga se viabiliza um Governo minoritário do PSD”, critica.

Para Relvas, com este tipo de discurso Rui Rio está “a passar um cheque em branco” a António Costa, trocando a geringonça por uma “engenhoca”.

“O que Rui Rio está a dizer é: eu quero substituir a geringonça atual pela minha engenhoca. Isto é, a engenhoca do Bloco Central – que não vai existir. Até porque o PS escolheu um caminho. O que Rui Rio fez, estrategicamente, foi criar condições para que António Costa possa lutar pela maioria absoluta com mais facilidade. Porque o dr. António Costa sabe que pode optar por uma coligação à esquerda, ou já sabe que o PSD lhe viabiliza um Governo minoritário”, diz.

De acordo com Miguel Relvas, este discurso, no fundo, traz benefícios ao CDS. “Permite ao CDS ser o líder da oposição. O CDS ficou satisfeito, ficou-se a rir, e viu mais um bónus – depois do que teve na Câmara de Lisboa. O aliado preferencial do PSD é o CDS – e se isto não ficar claro, significa que podemos estar a passar um cheque em branco. Eu sei que os militantes do PSD não passam cheques em branco”, explica.