Revista de imprensa

Manuel Castro Almeida: “Terminado este período dos acordos, o PSD tem de intensificar a oposição e mostrar as suas alternativas”

Segundo o vice-presidente social-democrata, durante as negociações para o acordo de transferência de competências para as autarquias, houve com o Governo um diálogo “frutuoso”, “sério, leal, construtivo, patriótico”

Depois de na semana passada PSD e Governo terem assinado um acordo relativo à transferência de competências para as autarquias, assim como de distribuição dos fundos europeus, o partido liderado de Rui Rio tem de voltar agora ao seu lugar devido: “fazer oposição e apresentar alternativas”, disse Manuel Castro Almeida, vice-presidente do PSD, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta segunda-feira.

Segundo o social-democrata, houve com um o Governo um diálogo “frutuoso”, “sério, leal, construtivo, patriótico. Estivemos ambos com a vontade de chegar a um acordo que fosse útil para o país. Foi uma boa experiência”, disse.

Contudo, não é só de acordos que o país precisa neste momento. “Terminado este período dos acordos, acho que o PSD tem de intensificar a oposição e mostrar as suas alternativas. Sob pena de, se não o fizéssemos, o país achar que ser do PS ou do PSD era a mesma coisa. E é bom marcar as diferenças”, atirou.

Ainda na mesma entrevista, Castro Almeida rejeitou que agora o PSD possa ser visto como uma muleta do PS - acusação protagonizada por Luís Montenegro, depois do anúncio oficial da assinatura dos acordos.

“Tenho para mim que estes acordos são um sinal muito poderoso de maturidade democrática, são um sinal de normalidade política em Portugal. Todos nos lembramos que nos últimos anos não foi possível haver entendimentos entre Governo e PSD - estando o PSD no Governo ou na oposição, com o PS no Governo ou na oposição”, afirmou.

Em todo o caso, o vice-presidente do PSD deixou aberta uma janela para futuros acordos com o Governo. “Se for necessário fazer reformas estruturais que vão para lá de uma legislatura, que vão para além da gestão corrente, o PSD está - com a liderança de Rui Rio - sempre disponível para todas as reformas estruturais que sejam necessárias. A regra é esta: quando o Governo não puder fazer sozinho um propósito que seja bom para o país, o PSD quer ajudar a encontrar boas soluções. Os partidos não existem para outra coisa”, explicou.