Revista de imprensa

O futuro do ensino em Portugal: em dois anos, houve menos 20 mil alunos nas escolas e mais 3 mil professores

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Segundo dados da Federação Nacional de Professores (Fenprof), actualmente estarão de baixa médica cerca de 12 mil professores do quadro

Desde 2007, o número de alunos a entrar no ensino superior em Portugal continental sofreu uma inflexão negativa, mas nos últimos dois essa situação agravou-se, avança o “Público” esta quinta-feira. Entre 2015 e 2017, houve menos 20.281 alunos nas escolas do ensino não superior de Portugal continental, segundo revelam os últimos dados apurados pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Ao mesmo tempo, o número de professores registou um aumento de 3228.

A diminuição acentuada no número de alunos tem vindo a registar-se desde o ano lectivo 2007/2008 devido à queda da natalidade em Portugal e, de acordo com o matutino, só não é maior por causa do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, que se tornou efectivo a partir de 2012/2013.

Esta redução poderá ser já o reflexo “dos anos da troika, um período negro que o país atravessou e que levou muitos casais a optarem por não terem filhos, por não poderem suportar os encargos” respetivos, disse o presidente da Associação Nacional de Directores e Agrupamentos das Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, ao matutino.

O ensino secundário, no passado ano letivo, foi o único nível de ensino que naquele ano não registou uma quebra do número de inscritos - teve mais 715 alunos.

Mais professores

Segundo dados da Federação Nacional de Professores (Fenprof), atualmente estarão de baixa médica cerca de 12 mil professores do quadro. Este número justifica, em parte, o número de entradas de professores nos quadros nos últimos dois anos.

Em declarações ao “Público”, Filinto Lima disse não existir o risco de “sobrelotação” de professores. “Se as turmas forem mais pequenas, esse problema não se põe porque serão necessários mais professores”, afirmou, frisando que o Governo deveria “aproveitar esta oportunidade para ir mais longe na redução do número de alunos por turma, sobretudo no 1.º ciclo onde é tão necessário que o ensino seja mais personalizado”.