Revista de imprensa

Patrões recuam no salário mínimo: “Não há condições” para ir além dos 600 euros

Tiago Miranda

Em junho deste ano, o líder da CIP surpreendeu muitas pessoas (e os próprios partidos políticos da esquerda) ao declarar que os patrões poderiam aceitar que o Salário Mínimo Nacional (SMN) ficasse acima dos 600 euros em 2019. Passados três meses, há um recuo no seu discurso: os indicadores não são favoráveis para ir além do valor previsto no início do ano, diz

A contratação de mais funcionários públicos e o aumento de salários dos mesmos não pode servir de justificação para um aumento de impostos, avisa António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em entrevista ao “Público” e à Renascença esta quinta-feira. “Gostaríamos que houvesse preocupação e atenção. É que aumentos de salários, chamar ao quadro os precários ou os horários de 35 horas acarretam inevitável aumento da despesa. (...) Não desejamos que, mais uma vez, as despesas - sendo que algumas possam ter critérios legítimos e socialmente aceitáveis - venham a ser compensadas por aumento de impostos; porque quer as empresas, quer as famílias estão exauridas na capacidade de suportar novos impostos”, atira.

Em junho deste ano, o líder da CIP surpreendeu muitas pessoas (e os próprios partidos políticos da esquerda) ao declarar que os patrões poderiam aceitar que o Salário Mínimo Nacional (SMN) ficasse acima dos 600 euros em 2019. Passados três meses, há um recuo no seu discurso: os indicadores não são favoráveis para ir além dos 600 euros, diz.

“Até agora a discussão do SMN tem estado, invariavelmente, do lado do Governo e das centrais sindicais, enquanto às entidades patronais cabe apenas a subscrição dos valores que uns e outros vão dirimindo. É tempo de chamar as entidades patronais, que são quem paga os salários, a esta discussão. Sempre temos dito que o SMN tem de estar indexado a factores mensuráveis: a produtividade, o crescimento económico e a inflação. Avaliando estes critérios e se os mesmos forem positivos – sendo certo que muitas empresas estão a vender mais e a exportar mais e porque nas 115 mil empresas que a CIP representa a esmagadora maioria já paga acima dos 600 euros – poderíamos admitir [ir mais longe]. Por outro lado, estávamos a querer introduzir na discussão do futuro OE para 2019 alguns novos critérios para que, em sede de negociação, pudéssemos ter alguns ganhos de causa.

Lamentavelmente, isso foi mal compreendido e indicadores como a produtividade continuam a cair e o investimento não dá sinais de recuperação. De junho para cá, acho que não há condições para elevar o SMN além daquele valor que o Governo já nos apresentou e que será, em janeiro de 2019, os 600 euros”, justificou.

Ainda na mesma entrevista, António Saraiva deixou críticas à oposição que Rui Rio tem feito no Parlamento. “O PSD - pelas divisões internas, por esta liderança e pela contestação a esta liderança de Rui Rio - tem andado envolvido em questões internas e isso não lhe terá permitido um trabalho político mais consequente e mais assertivo em sede parlamentar”, disse.