Sociedade

Viagens, vistos e voo. Os três vês que anunciam o chinês

Cônsul de Portugal em Xangai, Ana Mendes Godinho e um responsável da VFS na inauguração do novo centro de vistos de Portugal em Hangzhou

DR

Maior promoção do destino Portugal nos operadores turísticos, vistos mais rápidos e um voo direto para Lisboa a partir de julho. A China turística vem aí

Há um velho provérbio chinês que diz qualquer coisa como: “O paraíso no céu, Suzhou e Hangzhou na terra”, numa alusão às duas cidades mais bonitas da China. No caso de Hangzhou, as palavras pecam por defeito quando usadas para descrever a cidade velha, quase milenar, plantada à beira de um enorme lago. Por outro lado, soam exageradas para quem contempla a zona nova, a Hangzhou do futuro, toda feita de enormes prédios espelhados que, nada tendo de paraíso, fazem o melhor para arranhar o céu. É num desses prédios, o Bloco A da Qiansiang Road, no sétimo andar, que funciona desde esta semana o novo centro de vistos do Consulado de Portugal em Xangai.

Responsável da VFS explica ao cônsul de Portugal, ao presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e a Ana Mendes Godinho o funcionamento do centro

Responsável da VFS explica ao cônsul de Portugal, ao presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e a Ana Mendes Godinho o funcionamento do centro

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Hangzhou é uma pequena cidade de oito milhões de pessoas, a meio caminho entre Pequim (18 milhões) e Xangai (25 milhões). É também o bocadinho de terra a partir do qual o Turismo de Portugal espera alcançar o céu das receitas. Literalmente. A partir de julho, a companhia aérea Beijing Capital Airlines começará a operar um voo entre Hangzhou e Lisboa (com escala em Pequim), quatro vezes por semana. “Era um dos handicaps que tínhamos em relação ao turismo chinês”, admite ao Expresso Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, que se encontra há cerca de uma semana na China. “Este voo é crucial, mas não é suficiente. O novo centro de vistos é muito importante e também o contacto com os principais operadores turísticos.”

Esta quarta-feira, na presença da secretária de Estado, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, assinou um memorando de entendimento com o maior operador turístico online chinês, C-Trip, para a promoção de Portugal enquanto destino para o mercado chinês. A cerimónia decorreu na sede da empresa, em Xangai, um imenso edifício onde trabalham cerca de 10 mil pessoas. Nada de extraordinário. A C-Trip tem 250 milhões de utilizadores registados (sensivelmente o mesmo número de falantes de Português no mundo) e um volume de negócios que ronda os 67 milhões de euros por dia: desde compra de bilhetes de avião, reservas de hotéis, viagens de grupo, alugueres de viaturas, bilhetes de comboio… Na véspera, Ana Mendes Godinho visitou um outro gigante chinês, a Alibaba, um ecossistema online com cerca de 600 milhões de utilizadores. O portal turístico do grupo, Fliggy (antigo Alitrips), foi responsável pela venda de 90 milhões de bilhetes de avião em 2016. “Um pequeno número, tendo em conta a dimensão do nosso mercado”, explica Jerry Wu, vice-presidente da Alibaba.

O lago de Hangzhou

O lago de Hangzhou

Ricardo Marques

A China é neste momento o 14.º mercado de turismo em Portugal. No ano passado, cerca de 180 mil chineses visitaram o território português (o número total de turistas foi de 19.1 milhões), mas a tendência de crescimento acentuou-se nos primeiros meses destes ano, com subidas quer no número de visitantes quer nos pedidos de vistos entrados nas diferentes secções diplomáticas portuguesas na China. “O novo centro de vistos de Hangzhou, a cidade que recebe o voo, permitirá que os cidadãos chineses não tenham de deslocar-se a cidades como Xangai ou Pequim para prepararem a sua viagem”, explicou ao Expresso o cônsul português Xangai João Pedro Fins-do-Lago. O novo centro de obtenção de vistos, operado pela empresa VFS, permite aos cidadãos chineses tratarem da documentação necessária para viagens a uma série de países europeus - validada posteriormente pelas autoridades consulares. “O processo é despachado em três dias úteis”, referiu o cônsul português, salientando que Hangzhou é a cidade de origem da maior parte da comunidade chinesa em Portugal.