Sociedade

Incêndio de Pedrógão Grande: como atuam (e atuaram) as autoridades num fogo de grandes dimensões

MIGUEL A. LOPES

Trovoadas secas ao final da tarde de sábado surpreenderam as autoridades. Fechar estradas nacionais é uma tarefa "quase impossível", garantem responsáveis no terreno

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Um incêndio de grandes dimensões, como o que deflagrou este sábado e domingo entre os distritos de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, na região de Leiria, é atacado de imediato. E foi. Não só pelas forças locais, depois de uma chamada para a Linha 117 (de alerta para incêndios), como por pelo menos dois corpos de bombeiros mais próximos. "A intensidade do fogo obrigou a uma triangulação das forças", conta ao Expresso um alto responsável ligado ao combate de fogos.

Os comandantes locais ao aperceberem-se da dimensão do fogo reportaram a necessidade de mais homens e meios de combate. O pedido chegou primeiro à autoridade distrital de proteção civil que, por ser uma força estatal, teve permissão para chamar outros corpos de bombeiros mais afastados geograficamente.

Durante a tarde, as trovoadas secas, bem como o vento forte que se fez sentir naquela região (onde são comuns pequenos ciclones e tornados) surpreenderam até as autoridades que às 18h chegaram a dar o fogo como controlado. O pior estava para vir.

Por volta das 21h de sábado, foram mobilizados para o terreno forças de bombeiros de Lisboa e de Évora. Pouco tempo depois era reunida em Lisboa uma extensa equipa multidisciplinar, o Centro de Coordenação Operacional Nacional, na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), em Lisboa. Uma reunião onde estiveram presentes membros do INEM, IPMA, GNR, com o objetivo de coordenar as operações no terreno.

Uma das prioridades era fechar "o mais rapidamente possível" o máximo de estradas que ligam toda a região. Uma tarefa, segundo apurou o Expresso, "quase impossível" no que se refere a estradas nacionais e secundárias. "Só se faz um corte de estradas com tempo e meios. E neste caso, tudo aconteceu numa rapidez pouco comum", explica uma fonte próxima da proteção civil.

Pior. Uma estrada nacional pode ter vinte saídas e entradas num espaço de cinco quilómetros. E muitos acessos entram diretamente em quintas. "Vários soldados da GNR estiveram a tirar pessoas desses locais em sítios muito perigosos, correndo também eles perigo de vida", assegura o mesmo responsável.

Na N236 terá morrido a maior parte das vítimas, encurraladas nos carros pelo fogo.

Já o IC8 foi fechado ao trânsito às 19h de sábado. Um responsável da GNR ligado à operação garante: "O que havia a fazer em relação ao corte de estradas foi feito".

A opção de não enviar helicópteros e aviões para o local na pior altura do incêndio, durante a madrugada de domingo, deveu-se simplesmente porque estes meios aéreos não operam "durante a noite, com ventos fortes, fraca visibilidade e trovoadas". Tudo o que se passava naquela altura trágica.

Ao final da manhã de domingo, os incêndios era combatidos já com a ajuda de meios aéreos franceses e um espanhol.