Sociedade

Incêndios: Portugal aciona mecanismo europeu de Proteção Civil

Bombeiros durante o combate ao incêndio em Cioga do Campo, Cantanhede, a 12 de agosto de 2017

PAULO NOVAIS/LUSA

Medida foi anunciada pela ministra da Administração Interna, e obteve resposta pronta de Espanha para o combate aos incêndios em Portugal. As elevadas temperaturas e o vento forte levaram ao reacendimento de vários incêndios este sábado em Cantanhede, Mealhada, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere. Seis bombeiros ficaram feridos no combate às chamas em Abrantes

Portugal recebeu meios de combate a incêndios via Mecanismo Europeu de Proteção Civil cerca de uma hora depois de o pedido ter sido feito pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu que tutela a pasta da ajuda humanitária e gestão de crise, Christos Stylianides, publicou este domingo na sua conta de Twitter um agradecimento a Espanha pelo envio de meios de combate a incêndios a Portugal, a saber, dois módulos terrestres e dois aviões.

O governo português decidiu acionar na noite de sábado o Mecanismo Europeu de Protecção Civil, face ao agravamento da situação dos incêndios em Portugal. A medida foi confirmada pela ministra da Administração Interna, à saída de uma reunião na noite deste sábado no comando da Protecção Civil, em Carnaxide, onde se inteirou da situação dos incêndios a nível nacional.

Constança Urbano de Sousa esperava que os meios disponibilizados pelos parceiros europeus pudessem estar no terreno já este domingo, o que aconteceu. E garantia que a decisão foi tomada por "uma questão de prudência", tendo em conta as previsões meteorológicas adversas para os próximos dias. Em declarações à agência Lusa, a ministra reconheceu ainda que a situação "não está fácil", porque têm surgido muitos focos de incêndio, alguns de grande dimensão.

O "Mecanismo Europeu de Proteção Civil" é um mecanismo comunitário criado para facilitar a cooperação no quadro de intervenções de socorro da Proteção Civil, como uma "pool" de meios que os Estados disponibilizam para situações de emergência.

O mecanismo foi acionado durante o incêndio de junho em Pedrogão Grande e recentemente também foi acionado por países como a França ou a Itália, lembrou a ministra, acrescentando que Portugal tem igualmente apoiado outros países através do mecanismo (por exemplo sismos em Itália e na Turquia, esta que não faz parte da União Europeia, mas está incluída no mecanismo).

As condições meteorológicas adversas que se viveram durante o dia de sábado trouxeram várias reativações em incêndios que tinham sido dados como dominados da parte da manhã. Com as temperaturas elevadas e o vento forte, as chamas voltaram a lavrar com intensidade na Mealhada, Cantanhede, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere.

Um incêndio que está a lavrar desde as 15:58 deste sábado na localidade de Carvalhal, na União de Freguesias da Serra e Junceira, Tomar, obrigou à retirada de 17 pessoas e mantinha duas frentes ativas cerca das 22:00. Em declarações à Lusa, a presidente da Câmara de Tomar, município do distrito de Santarém, disse, a partir do posto de comando instalado no campo de jogos em Serra, que "uma dúzia de pessoas foi retirada das suas habitações na aldeia de Serra, por precaução, e transferidas de barco pela barragem de Castelo do Bode para o lar de Alverangel.

Há ainda registo de uma quinta evacuada em Tomar, onde estavam mais de duzentas pessoas, e ainda de várias casas que estavam a ser ameaçadas pelas chamas. O mesmo aconteceu com várias habitações na aldeia de Cabeça Gorda, em Abrantes. Seis bombeiros ficaram feridos no combate às chamas neste concelho.

O incêndio de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém, que tinha sido dado como dominado, reativou-se durante à tarde, sendo que o fogo entrou na localidade de Beco, informou o presidente da Câmara Municipal. "O fogo já entrou na localidade de Beco e está a ir em direção a Dornes. Está medonho", disse à agência Lusa o presidente do município, Jacinto Lopes, referindo que "há casas em risco". De acordo com o autarca, as chamas estão "a aumentar de intensidade" e lavram de forma descontrolada, considerando que "vai ser muito complicado" combater o fogo.

No distrito de Coimbra foi mesmo ativado o Plano Distrital de Emergência, segundo informações avançadas no habitual ponto de situação feito às 18h pela adjunta de operações da Protecção Civil. Mais de 70 incêndios deflagraram no espaço de apenas três horas na tarde deste sábado em vários locais do norte e centro do país, revelou ainda Patrícia Gaspar.

As Câmara Municipais de Miranda do Corvo e de Cantanhede ativaram também este sábado o Plano Municipal de Emergência. Em Miranda do Corvo,o incêndio "de grandes dimensões" que lavra na freguesia de Semide e que coloca "em risco" diversas casas de cinco aldeias, anunciou a autarquia.

A Auto-Estrada do Oeste, A8, chegou a estar cortada nos dois sentidos devido a um incêndio na zona de Torre Vedras. A circulação ficou normalizada ao final da tarde.

A A14 também foi cortada entre os nós de Coimbra Norte e Santa Eulália. Em causa esteve o reacendimento do fogo em Cantanhede, que aconteceu por volta das 15 horas.

O fogo que começou na sexta-feira em Alvaiázere, distrito de Leiria, e que tinha sido dado como dominado hoje de manhã reativou e obrigou ao corte da A13, afirmou a presidente da Câmara Municipal, Célia Marques, à agência Lusa.

O incêndio "está a propagar-se com grande velocidade", indo em direção ao concelho vizinho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, afirmou a autarca, sublinhando que as pessoas da localidade do Beco, em Ferreira do Zêzere, foram retiradas para uma localidade de Alvaiázere. "A nossa preocupação é que o fogo, face ao vento, inverta a direção e regresse para a zona de Cabaços, como aconteceu há cerca de dez anos", explicou, sublinhando que estão a ser criados aceiros para garantir que as chamas não transitam "para esse lado".

Por causa dos incêndios há ainda a registar este sábado um corte no IC2, na zona de Redinha, Pombal, nos dois sentidos.

De acordo com informações avançadas pela Autoridade Nacional da Protecção Civil, através da sua página na Internet, mais de 4000 bombeiros sairam para o terreno estão no combate a mais de 200 incêndios um pouco por todo o país.

Quase 600 militares e 116 viaturas estão também a ajudar no combate aos incêndios, em missões de apoio à Proteção Civil, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e diversos municípios, anunciou o Exército.

Já a Marinha enviou cerca de 100 militares para ajudar no combate aos incêndios em Alvaiázere, no distrito de Leiria, e em Nelas, distrito de Viseu. "A Marinha enviou para o concelho de Alvaiázere, distrito de Leiria, um pelotão de Fuzileiros e respetivo apoio de serviços, que incluem uma cozinha de campanha e apoio médico", refere a Marinha, em comunicado. A caminho do concelho de Nelas, distrito de Viseu, segue mais um pelotão da Marinha, estando prevista a sua chegada ao local para cerca da meia-noite.