Sociedade

Defesa de Ricardo Salgado reage à acusação: “É totalmente infundada”

Marcos Borga

O ex-presidente do BES está acusado de 21 crimes, esta manhã negados numa anunciada conferência de imprensa, onde Salgado esteve presente mas não falou

Anunciado como conferência de imprensa, o encontro com os jornalistas convocado para esta manhã pela defesa de Ricardo Salgado, acabou por limitar-se à leitura de um comunicado, onde Francisco Proença de Carvalho, um dos advogados do antigo presidente do BES, reiterou a inocência do seu cliente.

“O dr Ricardo Salgado não praticou qualquer crime a a acusação é totalmente infundada quanto a si”, afirmou, naquela que foi a primeira reação à acusação tornada pública na véspera, no âmbito da Operação Marquês e que envolve o nome do ex-homem forte do BES em 21 crimes, nomeadamente por corrupção, fraude fiscal qualificada e abuso de confiança.

Antes, com Ricardo Salgado sentado à sua direita, já Proença de Carvalho informara que não seriam permitidas perguntas. E por dois motivos, um deles “deontológico” e o outro por ser entendimento da defesa, apesar da “tentação”, que “factos, provas e direito têm um lugar próprio para ser tratados: os tribunais”.

No comunicado foram disparadas críticas em várias direções, desde o Ministério Público à Procuradoria-Geral da República, passando por “alguns arguidos” e, mesmo, em relação à comunicação social. Proença de Carvalho referiu a existência de uma “estratégia de contaminação da opinião pública”, sucessivas “violações do segredo de justiça” e de “notícias plantadas”.

O advogado sublinhou também que “o nome do dr Ricardo Salgado só recentemente apareceu referido”, tendo sido “uma espécie de bóia de salvação para um processo que se estava a afundar”.

Reafirmando que, apesar “das várias violações do direito”, Ricardo Salgado tem mantido uma “atitude discreta e de absoluto respeito, sempre ao dispôr das autoridades”, o advogado deixou também críticas a algumas das medidas recentes envolvendo o antigo líder do BES, nomeadamente o que classificou como “medidas de coação desnecessárias e desproporcionais”, além de “arrestos indiscriminados e sucessivos”.

Quanto à acusação dada a conhecer esta quarta-feira, relembrou que deve prevalecer “a presunção da inocência”, garantindo que o seu cliente “não se deixará condicionar ou esmagar” e que “levará até às últimas consequências a sua defesa”.

Se a justiça funcionar como deve, acrescentou, Ricardo Salgado “virá a ser, mais tarde ou mais cedo, ilibado de qualquer acusação”.

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