Sociedade

Presidente da Associação de Professores de Português enfrenta processo disciplinar por fuga no exame

Inspeção-Geral de Educação concluiu o inquérito à fuga no exame nacional de Português do 12.º ano, instaurando um processo disciplinar a uma professora. O Expresso sabe que se trata da presidente da associação de professores da disciplina, Edviges Ferreira.

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

A Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) decidiu instaurar um processo disciplinar "a uma docente para apuramento de responsabilidade" na fuga de informação relativa ao exame nacional de Português do 12.º ano, realizado no passado dia 19 de junho.

O Expresso sabe que a docente em causa é a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Edviges Ferreira, que leciona na secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa, e dá explicações a vários alunos de outros estabelecimentos, nomeadamente do ensino privado.

Foi na qualidade de presidente da APP que Edviges Ferreira foi chamada ao Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) para emitir um parecer prévio sobre as provas de Português, tendo tido acesso às questões que iam sair, ainda que sem saber que perguntas constariam dos enunciados de cada fase.

Dias antes do exame de Português do 12.º ano, circulou nas redes sociais e no WhatsApp uma gravação feita por uma aluna que não se identificava e que revelava o que iria sair na prova. Segundo a estudante, a informação partia da "presidente de um sindicato de professores" que tinha tido acesso ao exame.

"Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão", dizia a gravação.

No exame da 1ª fase acabou por sair, de facto, um poema de Alberto Caeiro e um excerto de Vergílio Ferreira, não havendo questões sobre nenhum outro autor. Mais estranho foi o facto de o tema da composição que os estudantes foram chamados a fazer no exame ter sido precisamente a memória.

Além deste processo disciplinar, foi ainda instaurado um processo de inquérito ao Instituto de Avaliação Educativa, responsável pela elaboração das provas, para apurar se "os procedimentos estão a ser devidamente seguidos".

"No caso dos alunos, não tendo sido possível apurar que o conhecimento da informação se tenha traduzido em benefício mensurável, a IGEC propôs, e foi aceite, que se aguarde a conclusão do processo disciplinar à docente para a aplicação de eventuais medidas", refere o comunicado do Ministério da Educação divulgado esta quinta-feira.

Paralelamente ao inquérito conduzido pela Inspeção-Geral de Educação, está a decorrer uma investigação a cargo do Ministério Público, pedida pelo IAVE, que na altura remeteu à Procuradoria-Geral da República "todas as informações sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal".