Sociedade

“As pessoas têm pensões porque eram ricas ou venderam muitas coisas” e mais 10 explicações das crianças sobre a nossa vida em 2018

Este é um guia para adultos em que são as crianças a lançar os temas: fique a saber de forma descontraída (e até divertida, porque não há que ter medo de rir) o que muda na sua carteira no próximo ano - impostos, pensões, salários, alimentação, habitação, luz e água, telecomunicações, transportes e portagens, carros e combustíveis, banca, tabaco e álcool

Todas as pensões vão ter aumentos

Desde logo, a idade da reforma sem penalizações passa a ser de 66 anos e quatro meses. Todas as pensões vão ter aumentos, entre 1% a 1,8%. Quem recebe até €857,8 terá o aumento percentual maior (se tem €500 de pensão, vai receber mais €9); no escalão seguinte, até aos €2573,4, a atualização é de 1,3% (se tem €1500 de pensão, vai receber mais €19); o menor aumento percentual destina-se a pessoas com pensões superiores a €2573,4 (se tem €3000 de pensão, vai receber mais €30).

Tal como já aconteceu em 2017, quem tem um rendimento de pensões até 643,35 euros terá um aumento extraordinário em agosto de mais €6 ou €10.

No que toca ao subsídio de desemprego, há uma boa notícia: em 2018 desaparece o corte de 10% após os seis primeiros meses. Ou seja, o valor que é inicialmente atribuído mantém-se.

Salários: mínimo aumenta, fim dos duodécimos e da sobretaxa

Quem recebe o salário mínimo nacional vai passar a receber €580 brutos a partir do primeiro dia do ano. Após os descontos para a Segurança Social (11%, o que equivale a cerca de €63), trata-se de um ordenado de €517. Comparando com 2017, e considerando já descontos, chegam às carteiras mais €21 todos os meses.

Outra das alterações diz respeito aos subsídios de férias e Natal, que já não podem ser pagos em duodécimos - tanto na função pública como nas empresas privadas.

Em vez de cinco, vão ser sete os escalões de IRS. A alteração implica mudanças nas pessoas com rendimentos entre €7.091 (€506 mensais brutos) e € 36.856 anuais (cerca €2.600 mensais brutos), que vão passar a pagar um pouco menos de imposto. A partir daí não haverá grandes diferenças.

Também a sobretaxa do IRS desaparece completamente e isso afeta todos os vencimentos.

Recibos Verdes: mais atenção para não pagar a mais

A grande mudança em 2018 é na apresentação de despesas pelos trabalhadores independentes. Para aqueles que auferem menos de €27 mil ao ano (uma média mensal de €2000 em recibos) nada muda. Quem apresenta um valor superior tem de justificar parte das despesas no e-Factura para evitar pagar mais IRS. As regras aplicam-se apenas aos profissionais liberais (advogados, cabeleireiros, explicadores, jornalistas, dentistas, veterinários e lojistas) e aos prestadores de serviços do alojamento local. De fora ficam os agricultores e os pequenos comerciantes.

Para janeiro de 2019 estão previstas mais alterações, incluindo uma redução do desconto para a Segurança Social - é atualmente de quase 30%, vai passar a ser de 21,41% em 2019.

Habitação: aumento nas rendas, prestações iguais

Quem tem casa arrendada pode ver a prestação aumentar até 1,12%. Ou seja, numa renda de €500 pode pagar até mais €5,60. Numa de €700 pode chegar um acréscimo de €8 e numa de €1000 sobe €11,20. No entanto, a atualização não tem de ser paga já em janeiro - pode ser apenas no mês em que o contrato de arrendamento foi assinado.

E ainda há mais uma alteração no que toca a rendas: os pais com filhos até aos 25 anos que sejam estudantes do ensino básico, secundário ou superior em escolas a morarem a mais de 50 quilómetros de casa passam a poder deduzir no IRS parte das rendas (podem ser abatidos 300 euros).

Já para quem fez crédito à habitação, as previsões apontam para que ao longo de 2018 as mensalidades se mantenham semelhantes a 2017. Caso a Euribor (usado para o calculo do crédito à habitação) suba, para as famílias pouco se vai sentir.

O que tem de saber sobre a água e eletricidade

O Governo garante que em 2018 o custo não vai aumentar devido ao fenómeno meteorológico de seca que o país atravessa, até porque as tarifas já estão fixadas há algum tempo.

No entanto, o preço da água varia consoante a zona do país. Por exemplo, o preço mantém-se em Sintra, Gaia, Guimarães ou Coimbra. Em Gondomar baixa, tal como em Braga.

Já no caso da eletricidade, as atualizações de preços não parecem ser assunto pacífico. Apesar da proposta do regulador da energia para os preços regulados da eletricidade baixarem 0,2% (o que significaria menos €0,09 numa fatura de €45), as operadoras dizem temer que se crie uma concorrência desleal que poderá gerar desvios a pagar mais tarde por todos os consumidores. A EDP Comercial, por exemplo, já anunciou aumentos médios de 2,5% (numa fatura de €45 pode implicar um aumento superior a €1).

Transportes Públicos: voltam os descontos para todos os estudantes

Os transportes públicos são para todas as pessoas, diz-nos o António, e vão ter descontos para os mais novos. Com o novo ano entra em vigor o desconto de 25% nos passes para todos os estudantes entre os 4 e 18 anos. Por exemplo, uma criança ou jovem que se desloquem na zona de Lisboa e utilizem o autocarro, metro e comboio passam a pagar €27,15 em vez de €36,20. Seja qual for a modalidade do passe, tem sempre o custo reduzido.

Para a generalidade dos utilizadores dos serviços de transportes públicos, provavelmente o preço vai aumentar. O Governo determinou que a percentagem máxima de aumento médio dos bilhetes e passes vai ser de 2% ( sem nunca ultrapassar os 2,5%). Usando o exemplo de um bilhete da Carris, cujo bilhete custa €1,85, o aumento não pode ser superior a cinco cêntimos.

Os cartões Lisboa Viva, Viva Viagem/7 Colinas e Andante não vão sofrer qualquer aumento.

TV, internet, telemóveis: fica (quase) tudo na mesma

Aqueles que se tornaram serviços quase imprescindíveis para o quotidiano não devem sofrer atualizações substanciais de preço. Pelo menos para janeiro, as operadoras de telecomunicações não têm previsto o aumento no valor cobrado pelos pacotes de televisão, Internet, telefone e telemóveis.

Apenas a MEO, citada pelo “Jornal de Negócios”, admite a possibilidade da subida de preços a partir de fevereiro “em alguns tarifários móveis pré-pagos”.

Alimentação: açúcar mais caro

Muito provavelmente o arroz e a pizza de que a Isaura tanto gosta não vão sofrer aumentos. Por agora foi colocada de parte a taxa que prevê impostos mais pesados em produtos com alto teor de sal, o chamado “imposto da batata frita”. No entanto, haverá alguns preços a aumentar, como é o caso do pão. Citada pela Lusa, a Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares admite a subida entre 3% e 4% – se uma bola de mistura custar €0,20, o aumento estima-se que seja de um cêntimo.

Os sumos, refrigerantes, concentrados de fruta e todas as bebidas com açúcar adicionado vão ter uma uma atualização até 1,5%. Portanto, é possível que esta subida se faça sentir nos preços de venda ao consumidor.

Tabaco fica mais caro, bebidas alcoólicas também

Além do mau cheiro que tanto incomoda a Maria, o tabaco vai ter outro contra em 2018: aumento do preço. O Orçamento do Estado prevê uma subida de 1,4% no imposto sobre cigarros, charutos e cigarrilhas, havendo um desagravamento de 1% em relação a uma outra tributação para estes produtos. As mudanças vão fazer-se sentir sobretudo nas marcas mais baratas (€4,70 por maço).

Cerveja, aguardentes, gin, whisky, vodka, espumantes, sidras, moscatel e o Vinho do Porto são algumas das bebidas alcoólicas que muito provavelmente vão ter o preço aumentado no próximo ano. Com o imposto especial de consumo fixado entre 1,4% e 1,5%, cabe aos comerciantes decidirem se vão refletir essa subida no preço de venda ao público (uma garrafa de €15 pode aumentar até quase €0,30).

Carros: portagens mais caras, inspeções mais baratas

Seja gasolina ou gasóleo, é preciso encher o depósito do carro. E fazê-lo em 2018 fica muito provavelmente mais caro, devido à atualização do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) em pelo menos 1,4% (€0,07 cêntimos por litro na gasolina, €0,035 no gasóleo).

Nas portagens não há qualquer dúvida: vão ficar mais caras. Na rede Brisa vão aumentar em média 1,47%. Apesar de cerca de 70% das taxas de portagem da classe 1 não terem atualização, a viagem entre Lisboa e Porto aumenta 45 cêntimos, Lisboa-Algarve passa a custar mais 25 cêntimos, Porto-Valença mais 20 cêntimos e Porto-Amarante mais 5 cêntimos. Os preços das portagens da autoestrada Lisboa-Cascais ou do sublanço Maia-Santo Tirso mantêm-se, enquanto a CREL aumenta 5 cêntimos.

Também a partir do primeiro dia do ano, tanto o Imposto Sobre Veículos (ISV) como o Imposto Único de Circulação (IUC) devem sofrer um aumento de 1,4%.

Agora, boas notícias: o preço das inspeções vai ficar mais barato - um ligeiro vai pagar menos €5,43, enquanto um pesado tem uma redução de €8,13.

Bancos: adeus às comissões? Talvez…

Na banca, foi noticiado esta semana que as principais instituições financeiras estão a tentar contornar as limitações aos montantes das “comissões de manutenção” das conta de depósito à ordem, que têm hoje um custo médio de €5,28 (€63,36 euros anuais) nos cinco maiores bancos (BPI, BCP, CGD, Novo Banco e Santander). Em resposta a esta nova realidade, estão a criar “contas-pacote” ou “contas -serviço com características e comissões (“de gestão” e não “de manutenção”) diferentes.

Há já uma petição para que o assunto seja levado ao Parlamento.