Sociedade

A história de Cláudia, fotógrafa de casamentos, alegada neonazi, portuguesa e detida há dias por suspeitas de terrorismo

Autoridades inglesas suspeitam que Cláudia da Silva pertence à National Action, grupo de extrema-direita ilegalizado em 2016. Foi detida no Reino Unido com o namorado e outros quatro suspeitos. Em Portugal não tem cadastro

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

"Não é a técnica nem a câmara que torna alguém num grande fotógrafo mas a alma que está atrás das lentes e da caixa mágica." A autobiografia escrita por Cláudia da Silva no seu site profissional não poderia ser mais pueril. Esta emigrante de 28 anos, que viajou de Lisboa para o coração do Reino Unido em abril de 2010, diz ser ainda fã de Oscar Wilde, Nietzsche, Edgar Allan Poe e também Fernando Pessoa. "Sou uma fotógrafa muito calma, ponderada e amo o que faço. É um grande privilégio fazer parte de um dia de casamento, tirar fotografias a um recém-nascido ou passar o tempo a captar imagens de uma família."

No início deste ano, Cláudia foi detida pela brigada antiterrorista da polícia das West Midlands, em Banbury, no coração do Reino Unido, juntamente com o namorado, Adam Thomas, sete anos mais novo. Na mesma operação foram presos ainda mais quatro pessoas, todos suspeitas de pertencer à National Action, a primeira organização neonazi a ser banida no Reino Unido, em dezembro de 2016.

De acordo com as autoridades inglesas, os seis alegados neonazis, que ficaram em prisão preventiva depois de uma primeira audição no tribunal de Westminster no dia 9, foram indiciados de preparação e incentivo de atos terroristas, nos termos da seção 41 da Lei do Terrorismo de 2000. A portuguesa e o namorado britânico foram ainda acusados de terem em sua posse um manual de instruções de fabrico de bombas artesanais.

Todos negaram os crimes e, segundo a imprensa britânica, Cláudia da Silva começou a chorar quando ouviu as acusações. Mas o Ministério Público não tem dúvidas de que os suspeitos continuaram a atividade extremista até setembro do ano passado.

De acordo com fontes judiciais ouvidas pelo Expresso, a portuguesa de 28 anos não tem cadastro em Portugal e nem sequer está referenciada por atividades próximas da extrema-direita. E está ainda por se perceber como e por que razão se juntou à National Action, organização criada em 2013 e que critica abertamente a entrada de imigrantes no mercado de trabalho do Reino Unido.