Sociedade

Maioria dos alunos continua a chumbar ou a ter negativa nos exames

Exame nacional de Português do 12.º ano foi realizado no passado dia 19 por mais de 74 mil alunos. É um dos mais importantes para o acesso ao ensino superior

Foto Luís Barra

Percentagem de jovens que chegam ao final do 9.º ano ou do secundário sem retenções ao longo do respetivo ciclo de estudos e com positiva nos exames finais aumentou, mas ainda está aquém dos 50%. Entre os alunos mais carenciados, os “percursos diretos de sucesso” são muito mais baixos

Em 2016/17, houve mais alunos a concluir o 9.º ano sem nunca ter chumbado nesse ciclo de estudos e a conseguir ao mesmo tempo positiva nos exames nacionais de Matemática e de Português. O mesmo aconteceu com os estudantes que concluíram o secundário e que também fizeram esse ciclo sem tropeções e tiveram positiva nos dois exames que realizam no 12.º. O problema é que os estudantes com "percursos diretos de sucesso" ainda são uma minoria, sobretudo entre os que têm mais dificuldades socioeconómicas.

Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Ministério da Educação mostram que a percentagem de alunos do 3.º ciclo do ensino básico com "percursos diretos de sucesso" aumentou de 40% em 2015/16 para 46% no último ano letivo. No caso do ensino secundário, o valor subiu de de 37% para 42%.

Mas estes valores globais escondem as diferenças significativas que persistem entre os mais carenciados (apoiados pela ação social escolar) e os que têm rendimentos suficientes para ficarem de fora deste apoio.

No caso do 3.º ciclo, apenas 22% dos estudantes do escalão A da ação social escolar (os que têm direito a mais apoios) não chumbaram no 7.º nem no 8.º anos e tiveram positiva nos exames do 9.º. Já entre os que não beneficiam da ação social escolar, a percentagem mais do que duplica e chega aos 54%.

No ensino secundário, a regra mantém-se ainda que a diferença não seja tão acentuada: os valores são de 28% e 44%, respetivamente.

As diferenças também existem quando se olha para o percurso de rapazes e raparigas, com os primeiros a chumbarem mais: a diferença ronda os 10 pontos percentuais.

Olhando para os resultados por distrito no 3,º ciclo, apenas em Coimbra e Braga metade ou mais dos alunos não chumbou e teve nota positiva nos exames do 9.º. Os distritos de Beja, Faro e Bragança apresentaram os piores resultados nos dois últimos anos letivos.

No secundário, os melhores desempenhos foram conseguidos em Braga, Viana do Castelo e Aveiro e os piores em Portalegre, Setúbal e Bragança

Mais dados, menos rankings

Sobre este indicador – um dos vários que o Ministério da Educação disponibiliza no portal infoescolas – o secretário de Estado da Educação considera que este é um dos dados mais válidos para medir o contributo de uma escola para a melhoria dos alunos que recebe.

Por um lado, porque combina avaliação interna e externa (notas nos exames). Por outro, porque penaliza os estabelecimentos de ensino que possam ter a tentação de chumbar alunos ou desviá-los para outros percursos, de forma a que só os melhores se apresentam aos exames e "chutando" os restantes para fora.

No portal infoescolas é possível ver para cada estabelecimento de ensino a percentagem de "percursos diretos de sucesso" ali registada e a comparação com a média nacional obtida pelos alunos com um nível semelhante à entrada do ciclo. Ou seja, é tido em conta o nível dos estudantes que a escola recebe.

"Uma escola não é boa pelos resultados absolutos que os alunos apresentam, mas pelos progressos que fazem ao longo do seu percurso. Se um estabelecimento de ensino receber jovens aptos para ter médias de 18 e eles depois têm 19, isso não vale tanto quanto uma escola que recebe estudantes com médias de 12 e que chegam ao final com 17", reforça João Costa, criticando assim a elaboração de rankings que fazem "análises simplistas", ao ter só em conta as médias nos exames em cada estabelecimento de ensino.

Estreia nos cursos profissionais

No mesmo portal, passaram ainda a estar disponíveis mais dados para as escolas do 1.º ciclo, nomeadamente sobre os desempenhos nas provas de aferição realizadas pelos alunos do 2.º ano e ainda as taxas de retenção por ano.

Mas a grande novidade agora apresentada prende-se com a informação sobre os cursos profissionais, até aqui inexistente. Esta é uma modalidade de ensino secundário cada vez mais procurada e que abrange atualmente cerca de 105 mil estudantes, distribuídos por 687 escolas públicas e privadas.

No infoescolas é agora possível consultar os cursos existentes em cada uma e a percentagem de alunos que concluem o curso nos três anos previstos, por exemplo.