Sociedade

Associação de Estudantes demarca-se de abaixo-assinado contra contratação de Passos Coelho. “Não vincula os alunos do ISCSP”

ANTÓNIO PEDRO SANTOS / Lusa

Também o Núcleo de Estudantes Sociais-Democratas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Polícias saiu em defesa de Passos, depois de um grupo de alunos daquela instituição de ensino ter lançado um abaixo-assinado contra a contratação do ex-primeiro-ministro, que consideram uma “afronta à transparência e à meritocracia”

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Depois do abaixo-assinado lançado por um grupo de alunos do Instituto Superior de Ciências Sociais e Polícias (ISCSP) a criticar a contratação de Pedro Passos Coelho para professor convidado, a Associação de Estudantes da mesma instituição de ensino saiu em defesa do antigo líder do PSD.

Num comunicado publicado no Facebook, a Associação de Estudantes diz não se rever no “pretenso” e “desconhecido” abaixo-assinado contra a contratação de Passos Coelho como professor do ISCSP e assegura que tal documento “não vincula os alunos do ISCSP” nem o “entendimento da AEISCSP [associação de estudantes daquela instituição] sobre o processo em causa”, uma vez que “não cumpre as normas estatutárias pelas quais o ISCSP é regido”. “Tal matéria é da exclusiva competência dos órgãos de gestão do ISCSP”, sendo que “essa autonomia deve ser preservada em nome da defesa da legalidade, da legitimidade dos órgãos e dos superiores interesses do ISCSP e da Universidade de Lisboa”, acrescenta o comunicado.

Na quinta-feira, um grupo de alunos do ISCSP fez circular um abaixo-assinado contra a contratação do ex-primeiro-ministro Passos Coelho como professor de mestrado e doutoramento daquela faculdade. Segundo um comunicado a que o “Jornal de Negócios” teve acesso, os alunos consideram que tal decisão se trata de uma “afronta à transparência e à meritocracia, prejudicando os estudantes, o restante corpo docente e, em última instância, até a própria instituição de ensino”.

Embora reconheçam “vasta experiência prática” de Passos Coelho, os alunos consideram que “a sua capacidade para lecionar aulas a discentes com um grau académico superior ao seu é altamente questionável”. Para o grupo de alunos, não é “plausível” que alguém que “nunca lecionou, nunca preparou uma tese na sua vida, nunca trabalhou em investigação e nunca teve um percurso académico minimamente relevante seja capaz de preparar alunos de mestrado e doutoramento”.

Os promotores deste abaixo-assinado mostram-se ainda indignados face ao salário “obsceno”, equiparado ao de um professor catedrático, que Passos Coelho irá receber. Quanto a isso, dizem tratar-se de “uma ofensa grave à meritocracia inerente ao percurso académico normal de um docente universitário”. A proximidade entre o ex-primeiro-ministro e o atual presidente da instituição, Manuel Meirinho, eleito deputado como independente nas listas do PSD em 2011, também é criticada pelos alunos, que falam em “cartelização política”.

Passos Coelho é uma mais-valia

Uma posição contrária assumiu já esta sexta-feira de manhã o Núcleo de Estudantes Sociais-Democratas (NESD) do ISCSP. Em comunicado divulgado no Facebook, o núcleo defende que a contratação de Passos Coelho, baseada no “mérito”, é uma “mais-valia” para a instituição de ensino, “pela sua experiência nas mais diferentes áreas da governação e da administração pública, pela competência e dedicação com que desempenhou a sua missão em prol do nosso país, e pela gestão exemplar em todos os cargos que ocupou”.

Os alunos do NESD elogiam ainda no documento a governação de Passos Coelho, que conseguiu, “através de medidas muito contestadas mas necessárias”, garantir a “recuperação económica do país” de modo a que “pudéssemos voltar a ser competitivos a nível internacional e assegurar a estabilidade financeira dos portugueses”.

No documento é ainda citado Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS que, quando começaram a surgir as primeiras críticas - ou “insultos vomitados” contra a “indignação de meia dúzia de pessoal menor da Academia”, como descreveu - defendeu a a opção de Passos Coelho numa publicação partilhada no Facebook. “A experiência de um ex-primeiro-ministro, qualquer que seja, é única e valiosa.”