Sociedade

Apps for Good. Ou uma espécie de Web Summit nas escolas portuguesas

Os últimos finalistas do Apps for Good foram conhecidos esta terça-feira, na escola Vergílio Ferreira, em Lisboa. O Expresso viajou ao Web Summit em português dos mais novos

Tomás, a Bruna e a Joana criaram uma app para ensinar as pessoas a agirem perante incêndios. Os acontecimentos recentes em Portugal marcaram estes miúdos com pouco mais de dez anos. Tomás assume o verbo, agarra o tablet e explica a ideia, embora o wi-fi esteja a patinar. É preciso saber o que fazer, vai insistindo. As recomendações são pertinentes. “Não se pode chatear os bombeiros, que fazem o seu trabalho tão bem”. O rapaz, despachado e de sorriso fácil, quer ser bombeiro ou polícia. Estava na cara. A Joana prefere “algo relacionado com a Ciência”, e a Bruna, que fala muito baixinho, não sabe ainda. Afinal, falta tanto tempo.

Este é um dos projetos desta semifinal da quarta edição da Apps for Good, que apurou esta terça-feira, na escola Vergílio Ferreira, os últimos 11 finalistas para 24 de setembro, o derradeiro evento na Fundação Calouste Gulbenkian. Na corrida a Sul estavam 72 equipas, 290 alunos (10-18 anos) e 64 professores. Apuram-se projetos do Norte (9), Açores (1), Madeira (1) e Lisboa (11). O objetivo é encontrar aplicativos, respostas e soluções tecnológicas para os desafios diários.

O Apps for Good é uma escola em si mesma, uma viagem, pelas lições, reflexões, ligações entre pessoas e pensamentos, metodologias e frustrações. Magicam-se ideias, constroem-se projetos. E as apps aparecem nos telefones inteligentes. A comunidade escolar encolhe, fica mais próxima, com pais, alunos e professores envolvidos num projeto anual, que caminha agora para o seu desfecho.

Noutro campeonato, três alunos da Escola Quinta do Marquês, em Oeiras, criaram uma app para transformar a obra "O ano da morte de Ricardo Reis” um pouco mais sedutora. Para tal, montaram dois roteiros citados no livro de José Saramago. A ideia é experienciar o que a prosa promete. “Pensamos em meter áudio, para ouvir passagens da obra”, anunciam. “A nossa app destina-se a alunos do 12.º ano e a professores. (…) Tem capacidade para ser traduzida para outras línguas, dirigindo-se depois a turistas.” O júri gostou e deu uma ideia: abranger o plano a outras obras. Os três colegas gostaram, mas preferem os pés no chão: “Se esta der certo…”

Três minutos para seduzir a plateia

Esta aventura pelo mundo da tecnologia começou pelas 14h15 com a apresentação de uma app que ajudará turistas no seu dia-a-dia, com a opção de acionar a intervenção da polícia em caso de roubo. E com outra que permite encaixar horários das aulas com o voluntariado escolar, simplificando a comunicação e fechando a porta a baldas ou lapsos. E mais outro que oferece troca de conteúdos escolares e aulas interativas. As ideias multiplicam-se, os nervos também. Às vezes faltam as palavras, mas há sempre alguém que segura as pontas. Aprende-se também isto de trabalhar em equipa e ter um objetivo comum.

As apresentações tiveram lugar em seis salas de aula e duraram sensivelmente 1h30. Cada projeto tinha três minutos para seduzir os presentes. A seguir, ao estilo “shark tank”, o júri entrava em ação e fazia algumas perguntas, explorando alguma lacuna no pitch ou promovendo a resolução de problemas.

O passo seguinte é o pavilhão, o “MarketPlace”. Os alunos vivem aqui uma espécie de Web Summit, um evento tecnológico que mete debaixo do mesmo teto um sem número de ideias. Os alunos pensaram, criaram e apresentaram os projetos. Agora visitam as bancas dos outros projetos, trocam ideias, ouvem explicações. Pais e professores batem bolas. Os miúdos falam entre si. Ficamos a saber que o evento poderá crescer, passando a ser segmentado por idade. Mas a experiência até aqui permitiu aprender uma coisa: enquanto os mais velhos têm ideias mais elaboradas, algo que é acompanhado pela comunicação, os mais pequenos são os mais criativos.

Fechados os discursos protocolares e institucionais, seguiu-se o anúncio dos 11 finalistas, com música, palmas e até uma onda à mistura. O júri escolheu 10 projetos, ficando o 11.º encarregue do voto popular. Houve suspiros, sorrisos e encolher de ombros. A competição dá mais um ensinamento: não se ganha todos os dias.

Finalistas do Encontro Regional Sul

- Touriste We Can Help you – Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro
- My Twin Care – Escola Secundária de Sacavém
- Influx – Escola Secundária Quinta do Marquês
- Distractionless – Escola Secundária Quinta do Marquês
- My Pill Dispenser – Escola secundária de Sá da Bandeira
- Cvism – Escola Dr. Francisco Fernandes Lopes
- MoveMents – Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro
- 1936 – Escola secundária Quinta do Marquês
- PFM7 – International School of Palmelpa
- Dizer a Escola – Escola Básica e Secundária Santo António da Charneca
- Ajudapp - Casa Pia Lisboa – CED Pina Manique

Prémio Público: Volapp, Escola Salesianos do Estoril

Finalistas do Encontro Regional Valongo

- Help2Learn do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches
- Refood da Escola Levante da Maia
- InOVAR da Escola Júlio Dinis, Ovar
- Make a Story da Escola Manuel Gomes de Almeida, Espinho
- We Help da Escola Profissional Agrícola Conde de São Bento
- AMPARA, Escola Profissional de Fafe
- I-dose Pills, Escola Profissional de Fafe
- WYW Umbrella, Escola Serafim Leite, São João Madeira
- Food Drive, Escola Comércio do Porto

Prémio Público: VOLpet da Escola Levante da Maia

Encontro Regional Açores

- Oh My Tools da Escola Secundária Domingos Rebelo

Encontro Regional Madeira

- será agora dia 6 julho

Ver aqui todas as novidades do Apps for Good e os candidatos à final de 24 de setembro, na Fundação Calouste Gulbenkian.